Lisboa não descarta segundo resgate

Primeiro-ministro Pedro Passos Coelho alertou, na noite de ontem, que situação pode piorar se o governo da Grécia declarar calote

LISBOA, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h05

O primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, disse que se a Grécia declarar calote é possível que Portugal precise de uma segunda rodada de ajuda de seus pares europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Se algo realmente negativo acontecer na Europa, particularmente na Grécia, será necessário que Portugal cumpra e mesmo supere todas as demandas feitas pela troica (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI)", disse Passos Coelho, em uma entrevista televisiva. "Se algo acontecer, é importante que aqueles que podem nos ajudar façam isso de maneira tão convincente que o que ocorrer na Grécia não aconteça aqui", acrescentou.

Os comentários de Passos Coelho vêm no momento em que a Grécia segue lutando para convencer a União Europeia (UE) e o FMI de que o país está fazendo o suficiente em relação às reformas previstas em seu plano de resgate. Sem a nova parcela de 8 bilhões de ajuda, a Grécia ficará sem recursos em meados de outubro.

Medo do contágio. Portugal está desesperadamente tentando se afastar da crise que vive a Grécia, e Lisboa já afirmou diversas vezes que está fazendo mais do que foi requisitado para o seu plano de resgate.

A credibilidade do país, no entanto, sofreu um revés na semana passada, quando o banco central disse que a região autônoma da Ilha da Madeira vinha reportando desde 2004 uma dívida menor do que de fato tinha. Os valores do orçamento entre 2008 e 2010 terão de ser revistos para cima. Passos Coelho, porém, disse na entrevista que os objetivos orçamentários não vão ser afetados. Ele acrescentou que o governo saberá a "real" situação financeira da ilha até o fim do mês.

Desde que assumiu em julho, o governo anunciou um aumento acentuado nas tarifas do transporte público e um aumento substancial nos impostos sobre os combustíveis para chegar à meta de seu déficit.

O governo também impôs um imposto de renda especial para 2011 equivalente à metade do salário de um mês e prometeu cortar postos públicos e reduzir o número de instituições públicas.

Os esforços têm dado certo. O governo aumentou as receitas em 4,8% até agora neste ano na comparação com 2010, principalmente por meio de impostos, enquanto as despesas caíram 2,9%. Sob um plano de resgate internacional de 78 bilhões, Portugal deve cortar seu déficit orçamentário para 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de 9,1% no ano passado.

Grécia. Em Atenas, o Ministério de Finanças grego disse ontem que foi feito um "progresso satisfatório" depois de dois dias de teleconferências com os credores internacionais e que os inspetores da troica são esperados no país na próxima semana. "Foi feito progresso satisfatório", informou o ministério em comunicado. "As conversas vão continuar no fim de semana em Washington, onde (o ministro de Finanças) Evangelos Venizelos participará do encontro anual do Fundo Monetário Internacional."

O ministério informou que equipes técnicas vão continuar trabalhando nos dados dos orçamentos de 2011 e 2012, bem como no plano completo de médio prazo até 2014.

A Grécia encontra-se sob pressão cada vez maior por parte de seus parceiros na zona do euro para que adote novas medidas de austeridade fiscal para reduzir seu déficit orçamentário e atender às condições para que os credores liberem um novo pacote de ajuda. Cada vez mais o fantasma de um calote tem assombrado os mercados. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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