Lista negra do Procon tem 200 sites

Compra na web deve ser feita com cuidado, segundo o órgão, pois são raros os casos em que o cliente consegue ser ressarcido do prejuízo

ISABELA LAMSTER , ESPECIAL PARA O ESTADO , LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h07

A Fundação Procon-SP divulgou uma lista ontem com 200 sites de compra online que devem ser evitados - alguns domínios estão fora do ar, mas outros ainda permanecem ativos.

A lista foi feita com sites que receberam reclamações no Procon relativas ao não recebimento de mercadorias já pagas e ao envio de produtos de qualidade inferior ao prometido. "Não conseguindo falar com os sites, os consumidores nos procuram. Em seguida, nós mandamos notificações para os donos das lojas, mas não é raro que essas notificações voltem, pois os dados das empresas não batem com o que está registrado na Receita Federal. Muitas dessas empresas são de fachada", diz o diretor executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes.

Segundo Góes, a lista é um alerta para que os compradores não caiam nas armadilhas dos sites enganosos. "A internet não é um ambiente seguro, qualquer um pode colocar um site bonito no ar. O problema é que, após uma compra malfeita, são poucos os casos que conseguem ressarcimento do prejuízo, já que é muito difícil achar os responsáveis pelas fraudes", diz.

A recomendação do diretor executivo do Procon-SP é que o comprador tente sempre usar o cartão de crédito, modalidade em que é possível fazer o cancelamento da compra.

"É sempre bom ficar desconfiado de sites que só aceitam o pagamento por débito em conta corrente ou por boleto bancário. O melhor é usar o cartão de crédito, pois, caso se verifique algo errado com o processo de compra, é possível cancelar o pagamento com as administradoras do cartão", afirma Góes.

Saga. Faz cinco meses que o militar Vitor Marcio Figueiredo, 30 anos, trava uma batalha com a Barato Mania, empresa listada pelo Procon-SP. O celular foi entregue sem carregador, com as teclas invertidas e bateria danificada. "Estou sem celular, paguei direitinho e não me ressarciram."

Figueiredo tentou solucionar o caso entre idas e vindas de e-mails, mas sempre sem sucesso. A reportagem tentou contato com a Barato Mania por telefone, mas não obteve retorno. No portal Reclame Aqui, a empresa se compromete a tratar o caso de forma "diferenciada".

Sem conseguir resolver os problemas diretamente com as lojas, os consumidores que foram lesados usam as redes sociais para manifestar suas queixas. No Facebook, por exemplo, páginas de protesto contra lojas online citadas na lista do Procon - como a Apetrexo e Atacado Mix - reúnem alertas para outros possíveis compradores sobre os riscos dos sites não confiáveis.

As reclamações mais comuns são a entrega de produtos com defeito, a impossibilidade de troca e produtos que não foram entregues. Procurados pelo Estado, os responsáveis por ambos os sites não foram encontrados para prestar esclarecimentos.

Anunciantes. Algumas empresas que foram incluídas na lista prometem melhorias. A loja virtual Mel na Boca diz ter tido problemas com anunciantes no ano passado. No "boom" das compras coletivas, muitas empresas que prometiam serviços simplesmente desapareciam, conta Rafael Serpa, diretor da empresa. "Ou seja: pagamos para os anunciantes e houve clientes que não receberam seus produtos", afirma.

Hoje, diz Serja, as reclamações são inexistentes. A empresa só trabalha com anunciantes que são acompanhados de perto. "Estamos trabalhando duro desde abril para solucionar os problemas", afirma o diretor, que já designou dois funcionários para levantar os casos pendentes no Procon e resolvê-los.

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