Litro do combustível já custa mais de R$ 3 no interior de SP

Distribuidores alertam para o risco de falta de gasolina nos postos nas estradas na volta do feriadão

Chico Siqueira, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

ARAÇATUBA

A volta do feriadão vai doer um pouco mais no bolso dos motoristas. O preço da gasolina está sendo reajustado nos postos do interior do Estado e o combustível pode até faltar em revendedores que não tiverem estoque.

Nas regiões de São José do Rio Preto e Bauru, os postos receberam gasolina com reajuste de cinco centavos no início da semana e estão repassando os aumentos ao consumidor.

Na região de Araçatuba, o repasse chegou a dez centavos, fazendo com que os preços chegassem a R$ 3 em alguns postos. Nas estradas próximas a Bauru, o combustível custa entre R$ 2,90 e R$ 3,05. Em Rio Preto, o combustível que era vendido a R$ 2,66 subiu para até R$ 2,75.

De acordo com diretores do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), os reajustes ocorrem devido às constantes altas de preço do álcool anidro, misturado na proporção de 25% na gasolina comum. Entre 1.º e 20 de abril, o preço do anidro acumula alta de 34,78%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP).

O anidro, que já acumulava alta de 15,92% na semana passada, subiu mais 8,8% em três dias (de 18 a 20 de abril), passando de R$ 2,4727 para R$ 2,6922 nas usinas paulistas. E o álcool hidratado, que vinha em ritmo de queda, também subiu nos três dias - 2,6% -, passando de R$ 1,3843 para R$ 1,4205.

Para complicar, a produção do anidro ainda é baixa diante da alta demanda causada pela migração em massa dos motoristas de carros flex, que deixaram o etanol para fazer uso da gasolina. "Pode ser que venhamos sentir a falta de gasolina nos próximos dias", afirma o diretor do Sincopetro de Rio Preto, Roberto Uehara. Ele lembra que o diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, reconheceu essa possibilidade ao comentar que postos do País poderão ficar ser gasolina por conta da falta de anidro para mistura.

Alternativa. O aumento da produção das usinas é visto como a saída mais viável para o problema, na visão dos empresários. "A solução definitiva é a regulamentação do setor, que não tem estoque regulador para atender os problemas de entressafra", afirma Otávio Uchyiama, diretor do Sincopetro em Araçatuba.

A redução da mistura do anidro, segundo ele, é vista com reservas, porque a Petrobrás também tem dificuldades para comprar gasolina. Outra alternativa seria reduzir a tributação sobre a gasolina para impedir que a elevação dos preços na refinaria chegue ao varejo.

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