Livre-comércio é o enigma de Xangai

Medidas de liberalização financeira e do mercado de capitais, como as vigentes em Hong Kong, ainda não foram anunciadas por Pequim

Denise Chrispim Marin, O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2014 | 17h38

PEQUIM - O Partido Comunista da China decidiu, em novembro passado, fazer de Xangai uma nova Hong Kong. A cidade conhecida mundialmente pelo dinamismo e por suas torres modernas se tornará, de acordo com o plano de reforma econômica chinesa, uma experiência-piloto de zona de livre-comércio e de capitais a ser reproduzida gradualmente no restante do país. No “Império do Centro”, porém, ninguém sabe exatamente como se dará essa transformação e qual sua magnitude final. Trata-se do “enigma de Xangai”.

“Nem a China sabe o que vai acontecer com Xangai”, afirmou o consultor Marcos Caramuru, ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda e embaixador de carreira. “Não está claro como o câmbio será operado, mas há indicações de que será (flexível) como em Hong Kong. Se houver maior liberdade para os fluxos de capitais em Xangai, no entanto, a China sofrerá o impacto dessa medida na formulação e no resultado da taxa de câmbio do yuan”, completou.

Bancos estrangeiros e empresas exportadoras já estão se posicionando em Xangai, com a instalação de escritórios e subsidiárias, na expectativa de que a cidade seja um novo espaço na China para o comércio e os fluxos de capitais liberalizados, com um yuan conversível. Essa “zona de livre comércio plus”, como a qualifica Caramuru, foi anunciada em julho passado pelo governo provincial, obviamente autorizado por Pequim.

Na ocasião, o governo chinês afirmou ser essa experiência crucial para a adoção das reformas econômicas, aprovadas quatro meses depois pelo Partido Comunista. Em especial, para a liberalização do setor financeiro da China, em longo prazo, e a meta extraoficial de fazer do yuan o principal rival do dólar americano como moeda de reservas.

Desde 2009, a cidade vem sendo preparada para se converter em um centro financeiro capaz de concorrer com as principais praças mundiais. Mas as novas regras de operação da sua zona de livre-comércio ainda estão em segredo - ou, talvez, não tenham ainda sido formuladas.

Autoridades chineses informaram no ano passado que bancos estrangeiros teriam permissão para emitir bônus na China e estariam sujeitos a uma regulação mais branda do Banco Central. Também indicaram a possível criação de um mercado futuro de petróleo em Xangai e de autorização para companhias de seguro de saúde atuarem na cidade.

Xangai é a maior cidade da China, com 20 milhões de habitantes. Nos planos do governo também está a sua transformação em um centro de logística mundial. Já tem os maiores portos - o Yangshan, de águas profundas, pode se tornar o mais amplo em embarque e desembarque de contêineres do mundo - e centros de transportes do país.

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