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Livre flutuação do câmbio, meta ainda distante

Desde agosto de 2013 o Banco Central (BC) vem vendendo dólares no mercado futuro, por meio de leilões de swap, com o objetivo de prover hedge cambial e liquidez no mercado de câmbio. Essas operações já somam US$ 110 bilhões, ou quase 30% das reservas cambiais do País (US$ 374 bilhões em 15/1). Já se debate se o total dessas operações não alcançou um nível muito alto.

O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2015 | 02h01

Em novembro, o presidente do BC, Alexandre Tombini, declarou que o estoque de swaps cambiais já atendia "de forma significativa à demanda de proteção cambial". A declaração sugeria o fim, em 2015, da "ração diária", ou seja, da oferta de dólares no mercado pelo BC. No dia 30 de dezembro, o BC comunicou a decisão de estender de 2 de janeiro a 31 de março o programa de leilões de swap cambial e de venda de dólares com compromisso de recompra. Já a ração diária foi reduzida de US$ 200 milhões para US$ 100 milhões.

Pode ser que, com sua política de ajuste gradual, no segundo trimestre deste ano o BC reduza a sua intervenção diária para US$ 50 milhões ou acabe de vez com essa prática, comprometendo-se com a rolagem do total de swaps a vencer.

Para mostrar que as reservas cambiais já não proporcionam tanto conforto ao País, parte dos economistas deduzem de seu total o estoque de operações de oferta de dólares no mercado, já que eventualmente os swaps cambiais teriam de ser cobertos pelas reservas. Feita essa conta, as reservas caem para US$ 263,53 bilhões, valor que expressaria efetivamente quais são as disponibilidades cambiais do País.

É um nível ainda alto em comparação com outros países, mas que recomenda prudência em face da evolução da economia internacional, principalmente a previsível alta dos juros nos EUA.

Além disso, a ração diária pode conter, mas não impedir a desvalorização do real, ainda longe do que alguns economistas consideram sua taxa de equilíbrio. Observe-se, ainda, que, embora favoreça as exportações, a alta do dólar tem efeito inflacionário. Ficam mais caras as importações de produtos acabados e de matérias-primas e componentes empregados pela indústria.

A livre flutuação do câmbio, um dos tripés que a equipe econômica tenta recuperar, é difícil de ser alcançada. Mas não será a hora de torná-la mais real? Se houver excessos especulativos, o BC pode, como tem feito, utilizar os instrumentos de que dispõe para realizar operações de venda e compra de dólares.

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