Livro aborda investimentos diretos no Brasil

O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda, lança, nesta segunda-feira, em São Paulo, o livro "Globalização e Investimentos estrangeiros no Brasil". Além de se preocupar em explicar os conceitos e as discussões fundamentais da área macroeconômica, o livro traz dados e exemplos. Para Lacerda, também professor da PUC-SP, a questão do investimento estrangeiro no Brasil é pauta importante não apenas para a mídia, empresas ou para os "acalorados debates acadêmicos", mas também para qualquer debate sobre as alternativas de desenvolvimento, em especial no caso das economias emergentes.O Brasil, ao lado da China, é um dos países em desenvolvimento que mais atraíram investimentos estrangeiros diretos (IED) nas últimas duas décadas, de acordo com a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Nesse período, o País recebeu US$ 235,91 bilhões, cifra significativamente acima dos US$ 37,14 bilhões acumulados até o início da década de 90 e quase 15 vezes mais do que havia captado no começo dos anos 80 (US$ 17,48 bilhões). A China, por sua vez, captou US$ 447,89 bilhões, quase 20 vezes mais do que tinha no começo dos anos 90.Ao mesmo tempo, porém, a participação do Brasil no fluxo total de investimentos estrangeiros diretos no mundo vem caindo nos últimos dois anos, passando de 2,7%, em 2001, para 1,5% em 2003. Entre os países em desenvolvimento, a participação brasileira também recuou, de 12%, em 2000, para 8,7% em 2002, e ainda deve cair para 5,3% este ano.O livro explica esses fenômenos e a importância do IED na economia brasileira, principalmente pela inserção do País no mundo globalizado e pela expressão sem precedentes na história do capitalismo mundial dos ativos financeiros, do câmbio e da vulnerabilidade externa.Lacerda costuma afirmar que, no Brasil, o IED perdeu o papel de emergência para cobrir o déficit em conta corrente e passou a estar relacionado a novos projetos e à ampliação da capacidade instalada do setor produtivo. Isso dá maior tranqüilidade ao País, onde os investimentos estrangeiros estão passando a ser de mais qualidade do que quantidade."Antônio Corrêa de Lacerda demonstra, de forma lúcida, como a economia brasileira foi enredada na armadilha da vulnerabilidade externa", diz o economista Luciano Coutinho, professor titular da Unicamp.Vale lembrar que o fluxo mundial de investimentos entre a década de 70 e o ano 2000 chegou a pular de US$ 28 bilhões, em média, para US$ 1,39 trilhão. Os escândalos financeiros que atingiram várias empresas norte-americanas em 2001 e os atentados de 11 de setembro, porém, fizeram despencar esses recursos para US$ 651 bilhões em 2002.

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