Mandel Ngan/AFP
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Livro Bege mostra preocupação de empresários com incertezas comerciais

Na avaliação dos empresários consultados, os EUA continuaram crescendo em ritmo modesto entre meados de maio e começo de julho

Bruno Caniato e Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2019 | 18h08

O Livro Bege, relatório do Federal Reserve sobre o estado da economia dos Estados Unidos, mostrou que empresários americanos estão preocupados com o possível impacto negativo das tensões comerciais sobre a economia dos Estados Unidos, ainda que a perspectiva geral seja positiva para os próximos meses.

Na avaliação dos empresários consultados, os EUA continuaram crescendo em ritmo modesto entre meados de maio e começo de julho e a perspectiva é de que esse ritmo seja mantido pelos próximos meses.

Segundo o relatório, a produção manufatureira foi fraca no geral, mas houve registro de uma ligeira retomada da atividade em alguns distritos desde o último relatório. As vendas no varejo aumentaram na maioria dos distritos, apesar da menor força das vendas de automóveis, e a atividade turística foi sólida, com forte crescimento nos distritos de Atlanta e Richmond.

No mercado imobiliário, a construção de residências teve fraco desempenho, mas as vendas de casas tiveram leve aumento. Dez dos 12 distritos do Fed verificaram crescimento do setor de serviços financeiros, com aumento em geral da demanda por crédito. A atividade no setor de serviços não-financeiros também avançou.

Além disso o livro mostra que os preços dos insumos subiram em decorrência de tarifas mais altas e aumento nos custos de mão de obra. De acordo com o documento, no entanto, a capacidade das empresas de repassar aumentos de custos foi restringida pela concorrência acirrada.

Segundo as informações coletadas pelo BC dos Estados Unidos, a taxa de inflação se estabilizou ligeiramente em relação ao período anterior e a oferta reduzida impulsionou o preço de produtos agrícolas.

Salários

O Livro Bege mostrou ainda que os empresários consultados pelo banco central americano avaliam que os salários no país tiveram crescimento modesto a moderado entre meados de maio e o início de julho, ainda que alguns deles tenham reportado "significativos aumentos" nos salários para cargos iniciais.

Os contatos entrevistados pelo Fed observaram que a o ritmo de emprego cresceu modestamente, um pouco mais lento que o visto no último período de acompanhamento. O mercado de trabalho, segundo eles, está "apertado" e há dificuldades para preencher vagas. Foi notada a escassez de trabalhadores na maioria dos setores, com destaque para construção, tecnologia da informação e serviços de saúde. Alguns empresários pontuaram preocupações com a renovação de vistos, apontando isto como uma incerteza à continuidade do crescimento do emprego.

Na maioria dos distritos do Fed, foi observado que empregadores aumentaram a oferta de benefícios como resposta à dificuldade de atrair funcionários.

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