Lobão nega risco de apagão de energia no País

Ministro ressalta investimentos previstos para o setor e diz que fornecimento ao exterior não prejudica

Gerusa Marques e Leonardo Goy, da Agência Estado,

08 de julho de 2008 | 16h23

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, garantiu nesta terça-feira, 8, que o Brasil não corre atualmente risco de apagão porque, segundo ele, diferentemente de 2001, quando houve racionamento, estão sendo feitos investimentos não só em geração, mas também em transmissão de energia. Ele destacou que naquela época havia carência de linhas de transmissão, o que dificultava o repasse de energia de uma região para outra. Em depoimento em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, Lobão lembrou que o Plano Decenal de Energia, que traça as perspectivas do setor até 2017, prevê investimentos de R$ 134 bilhões em geração de energia, dos quais R$ 107 bilhões em energia hidráulica e os restantes R$ 27 bilhões em energia térmica. Na área de transmissão, frisou, o Plano Decenal fixa investimentos de R$ 34 bilhões, enquanto na área de petróleo serão investidos R$ 266 bilhões entre este ano e 2012. "Hoje não teremos surpresas desagradáveis. Com energia farta, o crescimento se dará com segurança", assinalou. Sublinhou que para manter o crescimento da economia é necessário permanentemente ampliar a oferta de energia, investir em transporte, armazenamento e eficiência energética. De acordo com Lobão, o governo dispõe hoje de todos os instrumentos para garantir que isso aconteça. "O governo faz um planejamento de curto, médio e longo prazos olhando hoje, amanhã e mais adiante ", observou. Destacou que o comitê de monitoramento do setor elétrico acompanha permanentemente a oferta e a demanda. Citou três objetivos do modelo do setor elétrico vigente: garantir o suprimento, promover tarifas mais baratas e universalizar o serviço. Fornecimento ao exterior O ministro afirmou também que o fornecimento de energia do Brasil para outros países da América Latina, como a Argentina, não prejudica o abastecimento interno nem tem impacto nas tarifas pagas pelo consumidor brasileiro. Lobão explicou que o Brasil, dentro do Mercosul, é o país que mais exporta (serviços e produtos) e que, por isso, é importante manter boas relações com os vizinhos.  Ao responder a uma pergunta do deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR) sobre possibilidade de desabastecimento no Brasil por causa dessas remessas de energia, Lobão lembrou que o País já recebeu energia da Argentina em momentos em que precisava disso. "Eles nos socorreram, e agora nós é que os estamos socorrendo, sem prejuízos para os brasileiros", afirmou o ministro. Ele disse que o Brasil pode interromper o fornecimento de energia para a Argentina sempre que isso for necessário. Atualmente, o Brasil, segundo o ministro, envia à Argentina 400 megawatts de energia de usinas termoelétricas que, antes, não estavam ativadas. "O Brasil não perde um centavo", afirmou Lobão. Acrescentou que o País envia à Argentina também energia produzida por usinas hidrelétricas, em um sistema de intercâmbio, mas não precisou o montante. O ministro disse que a energia brasileira é enviada nos meses de maio, junho, julho e agosto e que o Brasil recebe energia da Argentina nos meses de setembro, outubro e novembro, quando os reservatórios das hidrelétricas brasileiras estão mais baixos. "Não tivemos nenhuma perda, apenas ganhos em amizade".

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