Lobão: sem térmicas, economia seria de R$ 400 mi/mês

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje que o desligamento das usinas térmicas representaria uma economia de R$ 400 milhões mensais, mas isso não deve ser repassado imediatamente ao consumidor. "Não contemplamos a hipótese do repasse ao consumidor. Mas se ocorrer, só será feito às contas no final de 2008, e mesmo assim será imperceptível", comentou.Ontem, o ministro afirmou que, apesar de os reservatórios das hidrelétricas estarem próximos de seu limite, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) só deverá decidir se desligará as térmicas na próxima reunião que ocorre em 15 dias. Hoje, segundo ele, estão sendo gerados 5 mil megawatts (MW) em energia termelétrica.Na reunião, o comitê decidirá se desliga todas de uma só vez, ou apenas as que são movidas com óleo, o que reduziria a energia gerada por essas unidades para a metade do total.Ainda segundo o ministro, com os reservatórios cheios o Brasil demonstra que está com condições de cumprir o acordo para exportação de energia à Argentina, num total de 400 MW. A exportação aconteceria entre os meses de maio e julho. Em contrapartida, a Argentina enviaria os mesmos 400 MW ao Brasil entre setembro e novembro. Indagado sobre o risco de a Argentina não ter condições de cumprir o acordo, Lobão apenas afirmou que tudo estará devidamente acertado e em contrato. "Se houver o absurdo de a Argentina não cumprir, estará prevista uma multa", disse.ConcessõesO ministro comentou ainda que no caso da renovação das concessões das hidrelétricas às empresas públicas - como a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) ou Furnas, por exemplo - o governo vai fazer valer o que está na lei, ou seja, só haverá a prorrogação de uma concessão uma vez. No caso do término da vigência da segunda concessão, essas hidrelétricas voltam ao governo, que as licitará novamente.A indefinição na prorrogação das concessões foi um dos motivos apontados pelos investidores como fator de insegurança que contribuiu para o fracasso do leilão da Cesp esta semana."Não é uma decisão do governo. Vale o que está na lei, seja para uma empresa pública ou privada. Estamos estudando caso a caso de prorrogação e como consentimos o adiamento do fim do prazo para a usina de Porto Primavera, isso sinaliza que poderá acontecer o mesmo com a usina de Três Irmãos (ambas da Cesp)", disse.Ele comentou ainda que o outro fator apontado pelos investidores para o fracasso do leilão - a influência do mau momento da economia internacional - é "descabida". "Estamos recebendo no Ministério dia após dia investidores estrangeiros interessados no Brasil. A americana Duke Energy, por exemplo, esteve lá esta semana falando que quer fazer grandes investimentos aqui. O setor elétrico não está sendo atingido pela crise internacional", disse.

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