Lobão vê 'forças demoníacas' que impedem hidrelétricas

Ministro lamenta as dificuldades para obter as licenças ambientais para a construção da usina Belo Monte

KELLY LIMA, Agencia Estado

29 de setembro de 2009 | 10h43

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta terça-feira, 29, que vê "forças demoníacas" impedindo a realização de usinas hidrelétricas de grande porte no País. Ele comentou as dificuldades que têm sido enfrentadas para a obtenção de licenças ambientais para a construção da usina de Belo Monte, durante a abertura do 6º Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase 2009).

Lobão fez discurso enfático: "Às vezes tenho a sensação de que existem forças demoníacas puxando para baixo o País e não deixando que avance, não deixando que tenhamos a segurança energética de que tanto precisamos", disse, para completar em seguida que "nós vamos vencer, ou ficaremos derrotados no meio do caminho e partiremos para as usinas térmicas, que poluem mais". O ministro atribuiu ao Ministério Público (MP) e às Organizações Não-Governamentais o papel das "forças ocultas" que impedem o desenvolvimento do país. 

Especificamente sobre Belo Monte, Lobão destacou que a intenção do governo de leiloar Belo Monte ainda este ano está mantida. "Para fechar o ano, Belo Monte deve ser leiloada. A grandiosidade desta usina tem exigido do governo esforço elevado de articulações", disse Lobão. Ele destacou ainda que estes esforços de articulação não devem ser somente do governo, mas também de investidores e construtores. "A equação de Belo Monte está sendo resolvida, mas depende muito do interesse de todos investidores. Esta é uma luta por Belo Monte, que é a joia da coroa", disse.

 

Leilão

 

Lobão voltou a reforçar na entrevista que o leilão da usina de Belo Monte vai acontecer ainda este ano, provavelmente no final de novembro. Segundo ele, "todas as construtoras do país e outros agentes financeiros estão interessadas na obra", que vai ter participação entre 40% e 49% da Eletrobrás. "Como serão feitas estas parcerias ainda não definimos."

"Vai depender também do interesse dos sócios. Só queremos garantir competitividade e para isso tem que haver pelo menos dois consórcios, mesmo que cada um tenha uma controlada da Eletrobrás", disse, lembrando ainda que o BNDES vai apoiar "fortemente a parte financeira do projeto".

 

Ainda segundo Lobão, se o leilão de Belo Monte não ocorrer em novembro, o início das obras fica prejudicado e deverá ser atrasado em pelo menos um ano. "Há uma janela hidrológica que impede o início das obras antes disso, por conta de chuvas na região no período. E não podemos nos dar ao luxo de atrasar em um ano a construção desta usina, sob o risco de termos que acionar térmicas, que são mais poluentes", disse.

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