Lobão vê má-fé contra Belo Monte

Ministro evitou críticas diretas aos atores nacionais que fizeram vídeo atacando a obra e preferiu centrar suas acusações a 'estrangeiros'

RENÉE PEREIRA, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2011 | 03h04

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, classificou como "conluio de ignorância e má-fé" os constantes ataques contra a Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Na avaliação dele, que participou ontem de evento em São Paulo, esse tipo de postura tem sido adotada por instituições mal informadas e sem compromisso com o Brasil.

"Eles tentam mostrar que estamos cometendo um desatino. Chego a pensar que aqueles que se manifestam no exterior contra a usina o fazem por inveja ou má-fé", diz ele, numa clara referência ao cineasta canadense James Cameron, que tem levantado a bandeira mundo afora contra a construção da usina. "Ele entende muito bem de cinema, mas não sabe nada de energia."

As críticas do ministro às ONGs internacionais surgiram após comentários sobre o vídeo estrelado por artistas brasileiros, que nas últimas semanas descobriram Belo Monte, depois de 30 anos de polêmica. Até ontem, eles tinham conseguido mais de 1 milhão de assinaturas contra a obra.

Lobão não quis fazer críticas diretas aos atores nacionais que criaram o Movimento Gota d'Água, mas afirmou que a Norte Energia já está providenciando esclarecimentos de informações equivocadas constantes no vídeo. "No final, Belo Monte será um orgulho nacional."

A hidrelétrica está em construção no Rio Xingu e terá capacidade de 11.233 megawatts (MW) de energia. Desde o início, o projeto esteve envolvido em polêmica por estar localizado na Amazônia. Para sair do papel, teve de passar por uma série de mudanças.

O projeto original previa uma área de 1.200 km² de extensão a ser alagada. Para reduzir os impactos, a Eletronorte refez os estudos e diminuiu a área alagada para 516 km². Segundo o ministro, Belo Monte tem absoluto respeito as moradores e ao meio ambiente. "A China inaugura uma térmica a carvão por semana. Será que querem que a gente faça isso também?"

Vazamento. O ministro também comentou sobre o vazamento de óleo no poço explorado pela Chevron no campo de Frade, na Bacia de Campos. "O ministério está acompanhando tudo de perto. Mas quem tem obrigação de fiscalizar é a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível). Ela está tomando todas as providências e examinando tudo para fazer um relatório definitivo."

Segundo Lobão, o documento, que será entregue em breve pela agência, deve conter um número mais preciso a respeito do volume de óleo que vazou no mar. Para ele, não houve demora da ANP para controlar a situação. "A partir do momento que ocorreu o acidente, os técnicos da agência se instalaram imediatamente na plataforma para acompanhar tudo de perto."

O vazamento está sendo acompanhado pela Polícia Federal, que investiga a possibilidade de a empresa americana de estar tentando indevidamente alcançar a camada pré-sal do Campo de Frade.

Na tentativa, teria ocorrido a ruptura de alguma estrutura do poço perfurado, dando origem ao vazamento de petróleo na Bacia de Campos (RJ). /COLABOROU LUCIANA COLLET

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