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Lobistas defendem interesses brasileiros nos Estados Unidos

Escritóriosespecializados em lobby declaram pagamentos recebidos da Embraer e Unica

BBC,

10 de maio de 2013 | 17h44

WASHINGTON - A rua K, no centro de Washington, seria apenas mais uma avenida moderna e indiferente de uma grande cidade americana, se não fosse pela sua alcunha de "meca" dos lobistas. De um lado e de outro, firmas de advocacia e escritórios de consultoria política vendem serviços corporativos de alto valor agregado: a mediação das relações entre seus clientes e o governo americano.

A atividade de lobby movimentou US$ 3,3 bilhões (R$ 6,6 bilhões) no ano passado, segundo cálculos da organização Center for Responsive Politics (CRP), que monitora as informações repassadas, por lei, pelas entidades e empresas ao Senado americano.

Sem o poder financeiro das corporações, nem o músculo extra dos grupos de pressão locais, estão as entidades que defendem os interesses brasileiros na capital americana.

Atualmente, o escritório King & Spalding LLP vem declarando gastos de US$ 80 mil por trimestre para representar os interesses da Embraer junto ao Congresso americano, o Departamento de Defesa, e órgãos americanos do setor de transporte.

A um custo de R$ 30 mil trimestrais, a associação do setor sucroalcooleiro, Unica, faz lobby para manter as cotas destinadas ao etanol avançado - categoria onde se encontra o biocombustível brasileiro - no mercado americano.

"Como estrangeiros, nós não temos o peso do eleitorado nem podemos contribuir com campanhas políticas: precisamos que um congressista americano acredite na nossa causa", resumiu a representante da Unica Letícia Phillips.

Apesar de contrariar grandes interesses nos setores do milho (matéria-prima do etanol americano) e petroleiro, a organização conseguiu uma vitória ao derrubar em 2011 uma tarifa aplicada ao etanol importado do Brasil. No ano anterior, a indústria bateu seu recorde em valor de lobby - US$ 315 mil, segundo a compilação do CRP.

Outro setor em que os interesses brasileiros se chocam com os grandes lobbies americanos é o do algodão.

Desde 2009, o Brasil está autorizado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) a retaliar os EUA por subsídios ao setor algodoeiro que só podem ser removidos com uma mudança na lei agrícola que está parada no Congresso americano.

Um acordo entre os países permite evitar as medidas mediante pagamento anual de US$ 148 milhões dos EUA ao Brasil - mas o entendimento é temporário.

Segundo dados do Senado, só no ano passado as entidades americanas do setor algodoeiro destinaram US$ 914 mil para defender, entre outros subsídios, os seguros de colheita questionados pelo Brasil.

A lei americana de lobbies requer que as entidades, indivíduos ou empresas declarem trimestralmente informações como os valores gastos, a área na qual se fez o lobby e o departamento "alvo" da ofensiva. Entretanto, entidades criticam a ausência da necessidade de se declararem os nomes dos parlamentares contatados, ou as leis específicas que foram alvo da discussão.

Especialistas lembram que a força dos lobbies está não apenas nas suas atividades juntos aos congressistas, mas também na sua extensa base de afiliados e eleitores e seus recursos milionários para o financiamento de campanhas eleitorais.

  

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