EFE G-20
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Local do encontro de líderes esconde bunker

Pelo menos três dos governantes levaram para Buenos Aires sua versão moderna de provadores de comida

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2018 | 04h00

O Centro de Costa Salguero, onde se realizam em Buenos Aires as sessões reservadas dos governantes dos países integrantes do G-20, esconde um bunker – é por isso, em grande parte, que foi escolhido para abrigar a reunião de presidentes e primeiros-ministros. No meio do complexo de 20 mil m² cobertos, há um conjunto feito de concreto reforçado, com paredes forradas de placas de aço, sem janelas e com renovadores de ar independentes. Os pórticos metálicos são do tipo corta fogo. Não é por acaso.

O conjunto, dedicado a receber eventos, incorporou essa célula de segurança em um projeto de expansão executado há 20 anos. Para o encontro do G-20, na sala dos debates foram colocadas apenas 22 poltronas pretas. Ao lado de cada uma delas há uma pequena mesa redonda, de apoio. O espaço é para conversações reservadas. Técnicos e assessores ficam de fora.

Um deles, coronel das forças dos Estados Unidos, estará sempre a curta distância de Donald Trump, mesmo considerados eventuais obstáculos – as portas, por exemplo. É fundamental que seja assim. O militar leva uma maleta quadrada, presa ao pulso por uma corrente metálica. Ali estão o computador e os códigos de acesso que permitirão ao presidente lançar um ataque de retaliação nuclear em caso de agressão maciça contra o território americano.

A programação do G-20 é intensa e previa que todas as atividades fossem realizadas no Costa Salguero; as refeições e os briefings de ajustes de informações. O cardápio disponível citava “cozinha internacional” e “gastronomia típica,” sem, todavia, revelar detalhes. Vinhos argentinos, naturalmente. Alguns dos dirigentes, apenas dois ou três de acordo com a indiscrição de funcionários da organização, trouxeram em suas equipes uma versão moderna de provadores de comida – assumidamente, só o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed Bin Salman. O uso do Centro está custando US$ 25 milhões ao governo do presidente Maurício Macri. Os gastos com a reunião devem ficar entre US$ 140 milhões e US$ 160 milhões.

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