Localização e investimento garantem movimentação crescente em Paranaguá

Porto paranaense bate recorde após recorde de exportações

Gabriela Lara, De Porto Alegre (RS)

12 de maio de 2016 | 16h21

Os investimentos realizados nos últimos anos em Paranaguá deixaram o porto preparado para a supersafra de grãos e não há risco de perda de espaço para outros terminais, diz o presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino. "Nos últimos 12 meses, batemos as marcas de melhor produção diária, melhor mês do porto, maior movimentação de grãos. Em 2016 fizemos o melhor janeiro da história, o melhor fevereiro, o melhor março", disse ao Broadcast Agro, serviço de notícias do agronegócio em tempo real da Agência Estado. O complexo soja responde por 60% da exportação de granéis sólidos feita por Paranaguá. O restante se divide basicamente entre milho, açúcar e trigo. Segundo dados da Appa, em 2015 os embarques do complexo soja totalizaram 13,92 milhões de toneladas. Para 2016, a previsão é de um incremento de 7%, chegando a 14,9 milhões de toneladas exportadas.

Dividino conta que as entregas de soja foram em boa parte antecipadas, devido ao receio de que a turbulência política provocasse flutuações expressivas da relação dólar-preço. "Se tirarmos uma fotografia momentânea, o crescimento é maior (que o projetado), mas em algum momento o ritmo vai cair. Acredito que, no fim de 2016, vamos anunciar um aumento da ordem de 7%", explicou.

A última obra concluída em Paranaguá foi o reforço do cais, entregue no mês de abril. Desde 2012, o porto recebeu R$ 500 milhões em investimentos do poder público estadual. O primeiro passo foi ampliar as vagas para caminhões, além de mudar premissas e fluxos no transporte aos navios. Encerradas as filas de veículos na entrada, a meta era reduzir o tempo de descarga. A solução foi substituir quatro shiploaders antigos, o que aumentou em 30% a velocidade de carregamento. O porto também investiu na dragagem de berços e inaugurou uma operação de "superberço" no corredor de exportação. Ali, quem se comprometer a carregar um navio de 65 mil toneladas em até 36 horas tem preferência de atracação entre os demais.

"Estamos tirando os gargalos do caminho", resume Dividino. A capacidade de exportação de Paranaguá ficou 3 milhões de toneladas maior nos últimos anos. Nas próximas semanas, começa mais uma obra no porto, de ampliação do cais oeste, no berço 201. O projeto, que deve ficar pronto em até dois anos, tem potencial para aumentar em mais 4 milhões de toneladas a capacidade de exportação.

O presidente da Appa acredita que os investimentos que têm sido feitos na região do Arco Norte se deve à percepção, por parte das grandes empresas do agronegócio, de que era necessário diversificar o escoamento de grãos e criar opções na parte norte do Brasil. Ele avalia, no entanto, que os portos no Amazonas, Bahia, Maranhão e Pará representam uma ameaça maior a Santos, que é o maior canal exportador da produção de Mato Grosso. "Hoje 80% do que fazemos (de movimentação) sai do Paraná e de Mato Grosso do Sul, que pela natureza da geografia corre pra cá. Dos outros 20% é que eu vou buscar alguma coisa em Mato Grosso", disse. Ele acrescenta que Paranaguá tem um "diferencial" pelo fato de o porto ser um importante importador de fertilizante. "Todo o caminhão que vem pra cá tem frete de retorno com fertilizante. No caso do Arco Norte, o caminhão volta vazio."

Coamo 

A visão de que o porto paranaense é estratégico para setores do agronegócio instalados no Centro-Sul é compartilhada pelo diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa. Tanto que a cooperativa, que tem sua sede em Campo Mourão (PR), investe para concentrar ali grande parte de sua operação. Na safra 2015/16, seu terminal em Paranaguá ficou pequeno para o volume de grãos destinados à exportação, obrigando-a a alugar estrutura de terceiros e também escoar pelos portos de São Francisco e Imbituba, ambos em Santa Catarina, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

O diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, sabe que o improviso está longe de ser o ideal. O porto de Rio Grande, por exemplo, fica cerca de mil quilômetros distante de Mato Grosso do Sul, onde a cooperativa concentra parte de sua produção. "Foi uma loucura", disse ele ao Broadcast Agro. Para resolver o problema, a Coamo aprovou em sua última assembleia geral, no mês de março, um investimento da ordem de R$ 130 milhões nas instalações em Paranaguá. O objetivo é, dentro de dois anos, aumentar a capacidade de recebimento e armazenagem de grãos das atuais 175 mil toneladas para 235 mil toneladas. Além disso, será aperfeiçoado o sistema de correias no corredor de exportação.

Se a ampliação da capacidade em Paranaguá se mostrar insuficiente no futuro, a principal alternativa estudada é a construção de uma estrutura operacional em Santa Catarina. A Coamo está adquirindo um terreno em Itapoá, na entrada do porto de São Francisco. "Mas isso é um projeto mais de longo prazo. Primeiro vamos fazer este complemento em Paranaguá. Se o problema persistir, daí podemos fazer algo em Santa Catarina", explicou.

A previsão é de que o volume de produtos agrícolas recebidos em 2016 seja um pouco inferior ao de 2015. O motivo é a influência das fortes chuvas na colheita da soja paranaense. Na conversa com a reportagem, no fim de abril, ele previa uma quebra de safra de 10%, com impacto negativo também na produtividade em algumas regiões. De acordo com Gallassini, 40% da produção da cooperativa costuma ficar no mercado interno, enquanto os outros 60% se destinam ao exterior. A proporção é a mesma quando considerado somente o complexo soja - sendo que o mix é composto normalmente por 50% in natura e 50% de farelo industrializado. Em 2016, a Coamo projeta exportar 4,2 milhões de toneladas de grãos. Deste total, a soja responde por cerca 3 milhões, e quase tudo já foi embarcado. "O cooperado ainda tem pouco mais de 1 milhão de toneladas para vender, mas muito disso ficará no mercado interno", esclarece. No que se refere ao milho, a exportação deverá chegar a 1,2 milhão de toneladas, conforme a estimativa da cooperativa. Até março, foram embarcadas 745 mil toneladas. O restante virá, basicamente, da safrinha de milho que começa a ser colhida em junho. 

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