Boticário
Nova loja ‘pop-up’ sustentável da empresa de cosméticos no Parque do Ibirapuera. Boticário

Loja 'sustentável' do Boticário no Ibirapuera usa 3 toneladas de plástico reciclado

Material reaproveitado foi usado para construir toda a unidade do grupo brasileiro, do piso às paredes; outros oito pontos de vendas sustentáveis também serão abertos no País

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 05h00

O Grupo Boticário está ampliando sua aposta na reciclagem, em outro projeto piloto que vai virar realidade a partir da próxima quinta-feira, dia 19, no Parque do Ibirapuera. É a primeira loja “pop-up” sustentável do grupo, feita a partir de 3 toneladas de plástico reciclado. O material reaproveitado foi usado para construir toda a unidade, do piso às paredes.

Além da unidade temporária perto do Portão 10 do Parque do Ibirapuera, o grupo de perfumaria vai abrir mais outros oito pontos de venda sustentáveis pelo País: dois no Paraná, dois no Rio Grande do Sul, três em São Paulo e um no Ceará. No parque paulistano, a loja terá 47,5 metros quadrados e vai vender produtos da linha de O Boticário que tenham atributos sustentáveis, seja na composição ou na embalagem. A unidade funcionará por cerca de 45 dias para aproveitar a temporada de vendas de Natal

Segundo André Farber, vice-presidente de negócios e franquias da companhia, uma das proposta das “pop-ups” é divulgar para o consumidor o programa de logística reversa do grupo de perfumaria. Todas as 4 mil lojas da companhia funcionam como pontos de coleta de embalagens de cosméticos – tanto de produtos das marcas do Grupo Boticário quanto de concorrentes. Parte do material reciclável recolhido nesse projeto será agora utilizado para as unidades temporárias. 

De acordo com o executivo do grupo de perfumaria, a sustentabilidade é um objetivo para toda a cadeia produtiva do Grupo Boticário. A proposta é ir ampliando a reutilização de materiais aos poucos. “Nosso compromisso é ampliar a sustentabilidade em nossa cadeia, sempre que for possível. A ideia é que todas as novas versões de produtos se provem um pouco mais sustentáveis do que as anteriores”, diz Farber.

Dois lados

Para o consultor em marcas Jaime Troiano, da Troiano Branding, embora a Natura – principal concorrente da marca O Boticário – seja conhecida por sua ligação histórica com o tema da preservação ambiental, é natural que O Boticário também busque um papel dentro dessa discussão. “Esse território do meio ambiente é coletivo, não pertence mais a uma ou outra marca”, diz Troiano. “Todo mundo está falando da defesa da Amazônia. O assunto não é mais uma propriedade individual. Abordá-lo é hoje obrigação de todos.”

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Em loja 'chique' de SP, Boticário cobra R$ 500 para cliente fazer a própria fragrância

Loja conceito do grupo brasileiro terá ‘laboratório’ para cliente criar fragrância entre 1,8 mil opções; busca por inovação faz parte do plano da empresa de reformar os pontos de vendas dentre quatro ou cinco anos

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 05h00

A partir de hoje, quem quiser criar a própria fragrância, com aroma e rótulos personalizados, poderá ir à loja que a marca O Boticário vai inaugurar na Rua dos Pinheiros, em São Paulo. Trata-se de uma versão “turbinada” do projeto O Boticário Lab, unidade conceito da marca que existe desde o ano passado em Curitiba (PR), onde o grupo foi criado, em 1977. Segundo a companhia, o cliente em busca de um perfume para chamar de seu terá até 1,8 mil combinações disponíveis. 

A unidade conceito faz parte, porém, de um objetivo maior: desenvolver um laboratório de ideias que, posteriormente, possam vir a ser adaptadas à realidade das 4 mil unidades do grupo no Brasil. Segundo André Farber, vice-presidente de negócios e franquias do Grupo Boticário, a busca por inovação faz parte de uma missão da empresa: reformar todos os pontos de venda dentro dos próximos quatro ou cinco anos. A empreitada vai custar R$ 1 bilhão, de acordo com o executivo.

O Scent Lab, ou laboratório de aromas, ficará no mezanino na unidade de 230 metros quadrados – o triplo do tamanho da unidade Boticário Lab da capital paranaense. Ao optar pela “experiência” de criar a própria fragrância, o cliente será orientado por um perfumista que vai propor combinação a partir de 10 bases olfativas e 11 aromas, dos quais apenas três devem ser selecionados, para evitar uma confusão sensorial. 

Segundo o gerente de perfumaria do grupo, Diego Costa, o trabalho de chegar à fragrância correta dura cerca de uma hora. O custo é de R$ 499. A linha de perfumes manipulados foi batizada de Privée, mas cada cliente poderá dar nome à própria criação. Assim como o produto, o rótulo poderá ser elaborado e impresso na hora. “É algo que existe há tempos nos mercados da Europa e dos Estados Unidos, mas é ainda pouco comum no Brasil, especialmente com a curadoria de uma grande marca”, explica Costa.

Personalização

Além de perfumaria, linha de produtos pela qual O Boticário é mais conhecido, a loja conceito de São Paulo terá também um salão de beleza completo, para mulheres e homens. Consultor para a linha de tratamento profissional da marca, o cabeleireiro Ricardo dos Anjos agora terá seu salão dentro da unidade. A exemplo do que já acontece em Curitiba, O Boticário Lab de Pinheiros terá ainda uma câmera que mostra a “saúde” dos fios dos visitantes com a ajuda de uma lente de aumento.

Embora a personalização seja tendência não apenas no mundo dos cosméticos, o que mostra que o grupo paranaense está antenado ao que o cliente busca, o presidente da Troiano Branding, Jaime Troiano, não vê essa corrida por uma “experiência exclusiva” de maneira 100% positiva. 

“É claro que toda marca precisa ter um cardápio para atender às necessidades individuais do cliente”, diz o especialista. “Por outro lado, olhando para o comportamento social hoje, isso também pode uma forma de incentivar o excesso de individualização, chegando ao ponto do narcisismo.”

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