Lojas de brinquedos tentam driblar aumentos

Os aumentos dos preços dos brinquedos, principalmente dos importados por causa da alta do dólar, deixaram o varejo mais cauteloso nas compras para o Dia da Criança. A PBKids, por exemplo, dobrou as encomendas de produtos nacionais, que apresentaram reajustes menores, a Brinquedos Laura reduziu em 40% o volume de importados em suas lojas e a Ri Happy reforçou as prateleiras com ofertas de até R$ 30. A Lojas Americanas importou da China itens de valor agregado menor, entre R$ 10 e R$ 30. A queixa do varejo é quanto aos reajustes repassados pelos importadores por causa do câmbio. Mas o mercado interno também teve aumentos de 4,5% no início do ano. "A necessidade de repasse seria de 10% com a alteração cambial", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), Synésio Baptista da Costa. A Mattel, principal fornecedora de importados no varejo, aumentou em 10,2% seus preços em agosto, numa primeira tacada, e este mês pretende repassar mais 5,1%. Os produtos da Lego, trazidos do exterior pela Estrela, registram alta em torno de 14%. A importadora Delta Gift está com reajustes de 10% a 20% em seus produtos. Mas as lojas garantem que estão bem estocadas com produtos importados porque fizeram pedidos antes de julho, quando o dólar pulou para a casa dos R$ 3. "Não dá para ignorar os lançamentos importados, anunciados exaustivamente na mídia e que fazem sucesso entre as crianças", diz o diretor de uma rede especializada. "O aumento do dólar também vai pesar na matéria-prima de nossos brinquedos, principalmente para o fim do ano", diz o diretor comercial da Babybrink, Audir Giovani, que tem as bonecas como seu carro-chefe de vendas. Partes como olhos e cabelos das bonecas, além de mecanismos eletrônicos, costumam ser importados e já estão vindo com tabelas reajustadas em até 15%, segundo ele. "Para outubro não aumentamos nada por causa do dólar. Os reajustes são apenas aqueles feitos no início do ano, por causa do aumento da mão-de-obra, em torno de 6% ou 7%", diz. A Estrela, maior fabricante de brinquedos nacionais, este ano trabalha com uma linha de 10% de importados, 5% a menos do que no ano passado. "Cortamos tudo o que foi possível", diz Aires José Leal Fernandes. A Gulliver, com um mix de 50% de importados, prevê reajustes de 10% a partir deste mês para seus produtos, incluindo a boneca Bratz, sucesso de vendas da empresa. Além do dólar, outros custos têm influência no valor do brinquedo vindo de fora, de acordo com lojistas e importadores. "Temos 33,5% de imposto de importação, 18% de ICMS, 10% de IPI, CPMF e taxas do porto para liberar a mercadoria", comenta um varejista importador. A gerente de Marketing da Mattel no Brasil, Cristina Lara, diz que uma Barbie básica de US$ 8 nos Estados Unidos sai em torno de R$ 40 a R$ 50 aqui por causa do custo Brasil e da importação. Lojistas observam também que muitos importados são feitos na China, com custos de mão-de- obra baixíssimos e com uma escala mundial de produção que o Brasil não consegue igualar. LançamentosBonecas como a Bratz, de visual adolescente, bonecos do homem-aranha, personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, carros de controle remoto que ultrapassam obstáculos, capotam e se desamassam após uma trombada, Barbie estilo Rapunzel e vários produtos com a grife Xuxa estão na lista de lançamentos de importados e nacionais que devem disputar a atenção das crianças nas próximas semanas. Só a Mattel, empenhada em aumentar sua participação de mercado no País, está importando 40% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. A Estrela também está investindo em lançamentos. "Queremos dar um tiro de canhão no Dia da Criança", resume o diretor de Marketing da empresa, Aires José Leal Fernandes. A Estrela promete exibir 27 filmes publicitários de 30 segundos em mídia nacional antes do 12 de outubro.

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