Lojas de R$ 1,99 tentam esticar fôlego até o Natal

O desempenho do comércio de R$ 1,99 no Dia das Crianças deu fôlego para as empresas do setor, que acreditam numa recuperação de faturamento até o final do ano. A elevação das vendas chegou a 20% em algumas regiões, após passarem o ano com resultados muito parecidos com os de 2001.Até agora, segundo Eduardo Todres, dono de uma empresa de utilidades domésticas e organizador de uma feira do setor que acontece esta semana em São Paulo, os lojistas estão administrando seus estoques e evitando novas compras. Ou estão fazendo adaptações de produtos, para manter os preços. Com a desova do Dia das Crianças e a proximidade do Natal, podem retomar as encomendas.Em relação aos importados, que representam hoje aproximadamente 20% dos itens de uma loja, os empresários estão alterando composições de jogos de produtos ou fazendo substituições. Todres prevê que a pressão maior deve acontecer a partir de dezembro, quando todos os estoques devem ter sido escoados.O comércio de R$ 1,99 nasceu depois do Plano Real, na esteira da paridade entre a moeda norte-americana e a brasileira. Com o passar dos anos, o mix de produtos destes estabelecimentos foi sendo mesclado com artigos nacionais, simultaneamente ao aparecimento de indústrias que se especializaram em fornecer para este segmento. Além disso, algumas lojas, para garantir a sobrevivência, passaram a oferecer também preços mais elevados. Hoje, na avaliação de Todres, apenas a metade das cerca de 16.500 lojas são exclusivamente de R$ 1,99. As demais, no entanto, mantêm a característica de vender produtos populares.No ano passado, o setor movimentou R$ 4,5 bilhões. A previsão é de que o desempenho este ano, caso seja mantido o ritmo dos últimos dias, possa melhorar até 15%. O termômetro, de acordo com Todres, será a feira do setor, que começou hoje em São Paulo e vai até quinta-feira. O número de expositores em relação ao evento de outubro de 2001 passou de 135 para 160, sendo 65 novos. A área ocupada no pavilhão branco do Expo Center Norte passou de 8 mil m² para 11 mil m².Embora o segmento que lidere o comércio de R$ 1,99 ainda seja o de utensílios domésticos de vidro e plásticos, o incremento maior está vindo do mercado editorial. Entre os novos expositores estão cinco editoras que vão trazer desde clássicos da literatura a publicações evangélicas, uma bíblia infantil e até um dicionário que custará R$ 1,99.No ano passado, a editora Clic lançou uma coleção de dez títulos de autores brasileiros famosos como Machado de Assis, José de Alencar, Euclides da Cunha e vendeu já 1 milhão de exemplares. Este ano, a Galex, em parceria com a Melhoramentos, já lançou duas edições de uma coleção Disney de 16 títulos e prepara a terceira com mais oito títulos, que serão apresentados durante a feira. Segundo Todres, o mercado editorial, por suas especificidades, consegue boa margem de lucro quando vende em escala, porque tem uma economia de custo na mesma proporção.

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