Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Lojas físicas movimentam Black Friday e motivos vão além da fuga de fraudes online

Menções em relação à data de compras crescem na internet, mas há quem não abra mão de ver os produtos pessoalmente

Talita Nascimento, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2018 | 14h21

Dos mais de 100 milhões de brasileiros que devem aproveitar as promoções da Black Friday, 40% pretendem comprar em lojas físicas, de acordo com pesquisa do Boa Vista SCPC.  Além disso, o ShopperTrak, fornecedor mundial de inteligência de tráfego de clientes, diz que o número de compradores em lojas físicas durante essa data já é quase uma vez e meia maior do que o movimento do Super Sábado de Natal, último sábado antes do dia 25 de dezembro. 

Na Black Friday do ano passado, Cristina Rabelo, de 53 anos, dona de casa moradora do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, gastou cerca de cinco horas em uma loja de varejo do shopping perto de sua casa. As compras não estavam planejadas.  “Minha filha chegou do trabalho e disse: ‘vamos que está acontecendo a Black Friday e eu vou pegar uma balancinha de banheiro’”.

A balança foi adquirida na primeira esquina, mas as compras se estenderam para além das 23h daquela sexta-feira. Esmaltes, instrumentos para fazer as unhas, comida, utensílios domésticos e até sabão líquido entraram na cesta da mãe e das duas filhas. Quando viram a quantidade de pessoas no caixa, as três passaram a se revezar entre os corredores da loja e a função de guardar lugar na fila.

O maior trânsito nas lojas, porém, não significa conversão em vendas. Marcelo Quaiatti, diretor da ShopperTrak no Brasil, alerta que caso o lojista não se prepare, o cliente sairá do estabelecimento sem gastar. “O lojista deve usar o fluxo de anos anteriores para determinar o número de vendedores disponíveis nas loja”, diz Marcelo. 

Que a Black Friday tem ficado mais famosa no Brasil, não há dúvidas. De acordo com estudo do Ibevar/FIA, as menções digitais à data cresceram desde 2014. Sendo que nos últimos três anos os números de citações no  Facebook, Twitter, Youtube, comentários em notícias de jornais eletrônicos, além de sites como o Reclameaqui e o JusBrasil, foram superiores a 52.500 mensagens, apresentando crescimento ano a ano.

Mas as compras não ficam só no e-commerce. Lojas físicas mantém o apelo entre consumidores, não só pelo medo das fraudes online.

Por que sair de casa?

Mesmo com as facilidades que as compras online oferecem, ainda há quem prefira ir às lojas físicas para aproveitar os descontos. Um motivo é o medo de fraudes online: lojas de rua ou de shoppings, dão mais segurança para quem compra e a possibilidade de roubo de dados é menor.De acordo com dados da Provokers, divulgados pelo Google, 71% dos compradores offline são da classe C e 40% das pessoas que não realizam compras eletrônicas fazem essa escolha por medo de fraudes.

Ver os produtos de perto

Para a dona de casa Cristina Rabelo, a principal razão para continuar indo a lojas físicas é poder ver o produto de perto e tomar a melhor decisão, mesmo motivo citado por 38% das pessoas que não utilizam e-commerce. “Se você já tem o produto, já tem a marca e o modelo é mais fácil comprar pela internet”, argumenta. Ela diz que na última Black Friday nem pensou em aproveitar as ofertas a distância, mas que desta vez pode aconselhar a filha a pesquisar seu enxoval sem sair de casa.

Falta de cartão

Outro motivo possível para escolher compras no varejo físico é a falta de cartão de crédito. No Brasil, segundo dados do IBGE, são cerca de 60 milhões de pessoas desbancarizadas - que não possuem conta em bancos. Roberto Kanter, professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), aponta esse como um fator importante, inclusive na diminuição das compras por impulso.

“Tem um número de pessoas que têm acesso à internet, mas não têm cartão. Cerca de 30% das compras têm desistências no boleto”, diz o professor. Ele afirma que o fato de ter um prazo para pagar a conta faz com que o consumidor reflita a respeito do gasto, o que o leva a não efetuar o pagamento e, assim, cancelar a compra online.

Pronta entrega

Cristina conta que a maior parte das compras que fez na Black Friday foi decidida à medida  que ela e as filhas viam os produtos na prateleira. “A gente ia olhando o que queria enquanto uma ficava na fila”, conta. Essa característica de pronta entrega do varejo físico é o principal diferencial desse tipo de comércio para Roberto Kanter. “Por esse serviço de estoque, o varejista cobra um preço. Quando a pronta entrega ficar frequente no e-commerce, a procura pelo varejo físico pode diminuir”, diz.

Estratégia combinada

Roberto diz que o ideal é que os varejistas saibam combinar estratégias, buscando fazer os clientes se sentirem mais seguros. Retirar produtos comprados online em lojas físicas e ter espaços nos estabelecimentos destinados à compra online com auxílio de vendedores são algumas estratégias para incluir mais consumidores. Ele conclui: “O varejista eficiente, moderno, contemporâneo busca integrar os seus canais”.

Cristina e as filhas Mariana e Marina, já programaram a Black Friday deste ano. Para roupas e outros itens que julgam necessário ver pessoalmente para comprar, elas pretendem madrugar nas lojas, evitando filas como as do ano passado. Arrependimento não é a palavra que usam para falar da última sexta-feira negra. “Pelo contrário, teria comprado ainda mais”, diz a dona de casa.

Acesso liberado

Estado vai liberar aos leitores todo o conteúdo de seu portal durante a edição da Black Friday de 2018, que acontece no dia 23 de novembro. A cobertura especial vai começar na meia-noite do dia 23 e permanecerá até 0h01 de 24 de novembro.

Os leitores vão contar com cobertura em tempo real, transmissões ao vivo dos repórteres da editoria de economia e informações exclusivas desta que é a principal temporada de compras do ano no Brasil, atrás apenas do Natal.

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