Lojas tentam driblar alta no preço dos brinquedos

Os aumentos dos preços dos brinquedos, principalmente dos importados por causa da alta do dólar, deixaram o varejo mais cauteloso nas compras para o Dia da Criança. A PBKids, por exemplo, dobrou as encomendas de produtos nacionais, que apresentaram reajustes menores, a Brinquedos Laura reduziu em 40% o volume de importados em suas lojas e a Ri Happy reforçou as prateleiras com ofertas de até R$ 30. A Lojas Americanas importou da China itens de valor agregado menor, entre R$ 10 e R$ 30. Mas, mesmo com essas adaptações, as lojas garantem que estão bem estocadas com produtos importados porque fizeram pedidos antes de julho, quando o dólar pulou para a casa dos R$ 3. "Não dá para ignorar os lançamentos importados anunciados exaustivamente na mídia e que fazem sucesso entre as crianças", diz o diretor de uma rede especializada.Bonecas como a Bratz, de visual adolescente, bonecos do homem-aranha, personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, carros de controle remoto que ultrapassam obstáculos, capotam e se desamassam após uma trombada, Barbie estilo Rapunzel e vários produtos com a grife Xuxa estão na lista de lançamentos de importados e nacionais que devem disputar a atenção das crianças nas próximas semanas. Só a Mattel, empenhada em aumentar sua participação de mercado no País, está importando 40% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. A Estrela também está investindo em lançamentos. "Queremos dar um tiro de canhão no Dia da Criança", resume o diretor de marketing da empresa, Aires José Leal Fernandes. A Estrela promete exibir no período que antecede a data 27 filmes publicitários de 30 segundos em mídia nacional.A queixa do varejo é quanto aos reajustes repassados pelos importadores por causa do câmbio. Mas o mercado interno também teve aumentos de 4,5% no início do ano. "A necessidade de repasse seria de 10% com a alteração cambial", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), Synésio Baptista da Costa. A Mattel, principal fornecedora de importados no varejo, aumentou em 10,2% seus preços em agosto, numa primeira tacada, e este mês pretende repassar mais 5,1%. Os produtos da Lego, trazidos do exterior pela Estrela, registram alta em torno de 14%. A importadora Delta Gift está com reajustes de 10% a 20% em seus produtos.PrevisõesOs reajustes de preços, a queda de rendimento do consumidor e até o ambiente político devem se refletir no comportamento das vendas nas próximas semanas na avaliação do presidente da Abrinq. "Devemos ter um crescimento real no faturamento do setor em torno de 4% com o Dia da Criança, abaixo das nossas expectativas. De janeiro a junho, já tivemos uma queda de 15% em relação ao mesmo período do ano passado porque o movimento foi muito fraco", diz Synésio da Costa.Ele prevê, por enquanto, que, se as vendas forem um pouco melhores no Natal, a perspectiva do setor é fechar o ano empatado com 2001. Algumas empresas, individualmente, têm previsões mais otimistas. A Gulliver e Babybrinq têm a expectativa, com o Dia da Criança, de um aumento de 15% no faturamento em relação ao mesmo período em 2001. A Estrela prevê 10% de crescimento."O aumento do dólar também vai pesar na matéria-prima de nossos brinquedos, principalmente para o fim do ano", diz o diretor comercial da Babybrink, Audir Giovani, que tem as bonecas como seu carro-chefe de vendas. Partes como olhos e cabelos das bonecas, além de mecanismos eletrônicos, costumam ser importados e já estão vindo com tabelas reajustadas em até 15%, segundo ele. "Para outubro não aumentamos nada por causa do dólar. Os reajustes são apenas aqueles feitos no início do ano, por causa do aumento da mão-de-obra, em torno de 6% ou 7%" diz.Outros custosA Estrela, maior fabricante de brinquedos nacionais, este ano trabalha com uma linha de 10% de importados, 5% a menos do que no ano passado. "Cortamos tudo o que foi possível", diz Aires José Leal Fernandes. A Gulliver, com um mix de 50% de importados, prevê reajustes de 10% a partir deste mês para seus produtos, incluindo a boneca Bratz , sucesso de vendas da empresa.Além do dólar, outros custos têm influência no valor do brinquedo vindo de fora, de acordo com lojistas e importadores. "Temos 33,5% de imposto de importação, 18% de ICMS, 10% de IPI, CPMF e taxas do porto para liberar a mercadoria", comenta um varejista importador. A gerente de Marketing da Mattel no Brasil Cristina Lara, diz que uma Barbie básica de US$ 8 nos Estados Unidos sai em torno de R$ 40 a R$ 50 aqui por causa do custo Brasil e da importação. Lojistas observam também que muitos importados são feitos na China, com custos de mão-de-obra baixíssimos e com uma escala mundial de produção que o Brasil não consegue.No varejo, a PBKids, embora conte com uma queda de 15% no tíquete médio de vendas, espera um resultado 10% superior ao Dia da Criança de 2001. O diretor da Ri Happy, Ricardo Sayon, acredita que a entrada do FGTS na economia e o aumento dos empregos temporários proporcionados pelas eleições podem aquecer o mercado. "O Dia da Criança pode surpreender."BonecasDe sapatos de plataforma, roupas arrojadas e com o conceito de meninas modernas, as bonecas Bratz (Gulliver), Driks (Estrela) e Diva Starz (Mattel) são as maiores apostas dos revendedores de brinquedos para o Dia da Criança. Todas elas são voltadas para o público pré-adolescente de 9 a 13 anos, que em geral não se interessa mais pelas bonecas do tipo bebê ou adultas como Barbie e Susi.A Bratz, considerada integrante da nova geração de fashion dolls, importada pela Gulliver, em quatro modelos, vendeu 20 mil unidades e está praticamente esgotada nas lojas de brinquedos. Para o Dia da Criança, a Gulliver já encomendou mais 50 mil bonecas e briga com a Estrela, que está no mercado com a Driks, para o mesmo público. A Driks está sendo acusada de violar o Código de Propriedade Industrial pela sua similaridade com a Bratz, da americana MGA Entertainment. "Essas bonecas significam um novo nicho de consumo porque atingem uma outra faixa etária de consumidoras, de 9 a 13 anos", diz Ricardo Sayon, da Ri Happy.Os personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo - como a Emília, de 85 cm, e agora a Narizinho, recém-lançada, da Babybrink - continuam atraindo as crianças, assim como os bonecos do Homem Aranha (Gulliver), que se esgotaram logo após o filme ter estreado nos cinemas, em maio, e estão sendo relançados, com preços de R$ 29 a R$ 120. A Susi Fada e a Susi Bióloga Marinha (Estrela) também devem ter forte apelo de vendas e como todo ano a tradicional Barbie, agora caracterizada como Rapunzel, dos contos de fadas.Os produtos da Xuxa, com preços que variam de R$ 10 (quebra-cabeça) a R$ 200 (mini lap-top), devem também ter grande saída com a estréia do novo programa da apresentadora, conforme expectativa dos lojistas. Os brinquedos da Mattel tidos como destaques para a data são o boneco Max Steel Superataque (R$ 250), que se movimenta e é comandado pela criança, e a boneca Mil Faces (R$ 75), que vem com o rosto limpo pronto para ser desenhado com canetinhas. A Grow espera vender bem o Rummikub, um jogo de raciocínio na faixa de R$ 45 e as bonecas da Xuxa, com preços de R$ 37 a R$ 54.

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