Lojistas da 25 de março querem organizar região

Os preços convidativos da região da 25 de Março garantem ao varejo local uma receita estimada em 0,5% do PIB brasileiro. Mas os 3,5 mil lojistas da via centenária, incrustada no centro de São Paulo, que acolheu principalmente imigrantes árabes e judeus, querem mais. A ordem agora é investir em projetos de marketing para impedir a deterioração local.Já está em estudo, por exemplo, um censo para apurar corretamente quanto o comércio dessa área movimenta. ?A estimativa de 0,5% do PIB é o que corre de boca em boca?, conta a presidente da União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco), Mariana Laskani, que tomou posse na noite de segunda-feira.Neta de um imigrante árabe cristão, que chegou ao Brasil da Síria na década de 20 fugindo de uma guerra com turcos muçulmanos, Mariana foi eleita a nova líder da entidade em 19 de abril. Segundo ela, o fato de uma mulher estar no comando da Univinco, é um sinal dos ventos de mudanças. Mariana está há 11 anos no comando de uma loja de cristais e pedrarias para bijuterias da sua família, fundada em 1946.OrganizaçãoO principal desafio de Mariana, entretanto, é colocar em prática o plano da "reorganização da ocupação do solo" na 25 de Março, que inclui a questão dos ambulantes. Quando questionada se a tal reorganização tem a ver com os marreteiros, Mariana mostra reservas com o termo e apela para uma saída política. "Queremos apoiar a Prefeitura para que a lei seja cumprida", diz ela.A atual prefeitura já traçou um plano para organizar o comércio dos ambulantes na região. Foram definidos 172 pontos-de-venda a céu aberto. O problema é que há mais de mil marreteiros na rua 25 de Março e em seus entornos, o que torna a tarefa delicada. "Queremos que esse processo seja pacífico", explica Mariana.RádioEnquanto não há uma definição para o problema, a presidente da Univinco prefere discorrer sobre os temas que estão mais ao alcance da entidade. Como a idéia de criar instrumentos de comunicação entre os lojistas ?revistas internas e rádio comunitária -, e uma publicação para divulgar as ofertas e promoções locais. "Queremos tornar a 25 de Março mais transparente", diz Mariana, que contratou uma assessoria de imprensa para comunicar todas as melhorias, projetos e eventos da região.Já estão em estudo ainda as promoções conjuntas. Um produto temático, por exemplo, poderia ser oferecido com desconto por todo o comércio local, diz Mariana. Outro projeto de longo prazo, que deve promover melhorias, é a construção de estacionamentos subterrâneos, que devem escoar o trânsito. "Em algumas datas, como na véspera do Natal, chegam a circular 1 milhão de pessoas por dia aqui", informa a presidente da Univinco.MelhoriasMariana quer ainda se aproximar de outras entidades de comércio de lojas de rua de São Paulo, como a Associação Comercial do Pari e Canindé, e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Bom Retiro para trocar idéias de projetos de melhorias, como de decoração e limpeza. O Bom Retiro, por exemplo, está em vias de implementar o Bom Retiro Boulevard para incrementar a decoração local. "A 25 de Março, o Bom Retiro, Brás e Pari representam juntos 48% do comércio do Brasil", avalia Mariana.Não se sabe ao certo se é mesmo essa quantia. Mas o censo que está em estudo deve acabar com a dúvida. Segundo a dirigente, os lojistas da 25 já contribuem com recursos para patrocinar a pesquisa, que deve ser realizada por uma agência de publicidade selecionada em uma espécie de concorrência. "Todos querem ajudar, pois os lojistas sabem que a área vive uma degradação que precisa acabar", diz ela.Leia mais sobre Comércio e Serviços no AE Setorial AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.