Lojistas de shoppings querem reajuste menor de aluguel

Entidades empresariais comerciais do Estado do Rio de Janeiro estão desencadeando um movimento contra o reajuste anual dos aluguéis das lojas pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). O índice acumula 32,88% em 12 meses até a segunda prévia de abril, divulgada ontem. Por enquanto, o movimento é local, mas uma reunião com representantes do empresariado de vários Estados já está sendo preparada para o final deste mês para tratar do assunto. "O problema é nacional. O IGP-M não guarda relação com os custos do varejo e é um índice inchado pelo câmbio, mas apesar das lojas de rua estarem conseguindo reajustes entre 8% e 10%, os shopping centers insistem em reajustar o aluguel pelo IGP-M", disse à Agência Estado o presidente do Conselho de Varejo da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Daniel Plá, dono da DePlá Fotografia. "Está havendo uma distorção muito grande porque o aumento do faturamento não acompanha o IGP", declarou Cláudio Gordilho, da Aloserj. A ACRJ, a Associação de Lojistas de Shopping Centers do Estado do Rio de Janeiro (Aloserj) e a Câmara Setorial dos Lojistas em Shopping Centers (Sindlojas-Rio) estão orientando os lojistas a não aceitarem reajustes acima de 8% e entrarem na Justiça com ação revisional de aluguel quando o proprietário da loja exigir mais. "A ação representa um custo alto para o lojista, mas dá retorno logo e nela, um perito pode ver quantas lojas estão fechadas no shopping onde fica a loja", afirmou Plá.A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) diz que já está ocorrendo negociação. Argumenta que, segundo pesquisa do Instituto Nielsen, as vendas no acumulado janeiro-fevereiro ficaram 5,96% acima do mesmo período do ano passado, e os aluguéis cresceram 1,78% (ambos os números deflacionados pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getúlio Vargas). Os shoppings costumam cobrar o aluguel combinando dois critérios - um piso fixo e, acima dele, um percentual sobre as vendas. Esse piso é que é reajustado, anualmente, pelo IGP-M. Dois representantes do Sindlojas-Rio, Aldo Cunha e Adolfo Carvalho, reuniram-se na sexta-feira com o presidente da Abrasce, Paulo Stewart, para tratar do assunto. "Disse a eles (do Sindlojas) é que a Abrasce não tem como intermediar qualquer negociação, que precisa ser feita caso a caso, mas que achamos que o IGP está inchado por uma influência muito grande do atacado, que não chega no varejo porque não há espaço para repassar", disse Stewart.Ele está orientando os associados para que os contratos continuem pelo IGP-M, mas, este ano, excepcionalmente as administradoras negociem reajustes menores. "É claro que um shopping mais forte vai querer um reajuste maior e um que tem mais dificuldades pode ter que fazer mais concessões", afirmou.VagasPara Daniel Plá, a questão do reajuste dos aluguéis está prejudicando a ocupação dos shoppings. "Temos hoje um recorde de lojas fechadas, com shoppings com mais de 40 lojas inativas como o Ilha Plaza (na Ilha do Governador), ou o BarraShopping, que nunca teve muita loja fechada, com mais de 10", afirmou. O Ilha Plaza Shopping respondeu que tem 29 lojas fechadas, mas que isso não corresponde a 10% da área total que pode ser alugada. O BarraShopping também nega a informação do empresário e informa que está com uma lista de comerciantes à espera de lojas por uma expansão que vai fazer.A Abrasce contesta as afirmações de Plá com base na pesquisa do Instituto Nielsen. O estudo indica vacância média nacional das lojas em relação ao total delas nos shoppings em janeiro e fevereiro em 4,5%. Segundo a entidade, isso está dentro dos padrões de normalidade. O West Shopping, que segundo Plá, estaria adiando o lançamento da expansão feita, nega o problema. Para Hugo Matherson, diretor superintendente da empresa administradora, a Egec, o Westshopping está com menos de 10% de suas 200 lojas sem ocupação e isso está relacionado à expansão e não ao IGP-M.

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