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Londres vive onda de liquidações com comércio em crise

Não é preciso andar muito por Londres para se deparar com uma situação que já se tornou comum: há uma onda de liquidações pelo comércio da cidade. Mas não se trata de descontos tradicionais da estação nem de um chamariz para esquentar os negócios. São, na verdade, varejistas queimando estoques para fechar definitivamente as portas.

DANIELA MILANESE, Agencia Estado

18 de março de 2009 | 18h12

O cenário dá a dimensão da gravidade da crise no Reino Unido, onde o número de desempregados superou 2 milhões de pessoas em fevereiro, a marca mais expressiva em 12 anos. O país é um dos mais atingidos pela crise, em razão da importância do setor financeiro para a economia e da explosão da bolha imobiliária.

Os prognósticos negativos sobre o Reino Unido continuam se acumulando. O Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que o país será a única grande economia que não conseguirá sair da recessão no ano que vem. O fundo estima que o Produto Interno Bruto (PIB) levará um tombo de 3,8% neste ano, seguido de retração de 0,2% em 2009.

Diversos economistas apontam que o número de pessoas sem emprego vai chegar a 3 milhões no ano que vem. "As perspectivas para o desemprego estão piorando e existe necessidade urgente de ação", declarou a Câmara Britânica de Comércio. Se a previsão se concretizar, a taxa de desemprego passará dos atuais 6,5% para 10%. A fraqueza econômica também está refletida na libra, que acumula desvalorização de 30% nos últimos 12 meses. O ambiente aumenta o risco de depressão no país, algo que já vem sendo apontado por especialistas.

A crise é o principal assunto entre a população, bastante preocupada com as perspectivas cada vez mais negativas. O mercado imobiliário, antes um símbolo da pujança de Londres, está bem longe do aquecimento visto até o começo de 2008. Conforme a instituição financeira Nationwide, o preço dos imóveis acumula queda de 17,7% em 12 meses, até fevereiro. Os valores estão bem mais convidativos e os juros caíram bastante, mas nada disso leva a população a comprar novas residências. O problema é que agora os bancos querem uma entrada de 10% a 25% do preço do imóvel, um porcentual extremamente elevado para os britânicos - antes da crise, as instituições concediam hipotecas de 120% do valor das residências.

No comércio, os sinais da recessão são evidentes. "Estamos fechando, vamos ter de encerrar as atividades em razão da crise", disse o proprietário de uma loja no sudoeste de Londres, desanimado ao liquidar o estoque. Mesmo as lojas que seguem com atividade normal estão tendo de realizar promoções expressivas. Foi esse movimento que provocou a alta de 0,7% nas vendas no varejo em janeiro, na comparação com dezembro.

O governo tem tomado diversas medidas para combater a crise, desde a redução de impostos até a nacionalização de bancos. Neste ano, o Royal Bank of Scotland (RBS) e o Lloyds já passaram para o controle do governo. O Banco da Inglaterra (banco central) gastou toda sua munição com a política monetária tradicional ao derrubar os juros básicos para 0,5% ao ano na última reunião. Agora, está imprimindo dinheiro para comprar títulos, medida nada convencional, mas que acabou sendo necessária diante da gravidade da crise.

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