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Longe da crise, rei paga 30 mil para caçar elefantes

Notícia de que Juan Carlos se acidentou ao participar de safari causou revolta

PARIS, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h08

Um acidente que custou ao rei da Espanha, Juan Carlos, uma fratura no fêmur e uma operação delicada em um hospital de Madri causou mal-estar no país no fim de semana. Isso porque a imprensa madrilenha revelou que a fratura aconteceu durante um safari em Botsuana, na África, onde o chefe de Estado caçava elefantes. O detalhe é que o governo do país africano cobra uma taxa de até € 30 mil para quem deseja participar da caça. Em um país com 23% de desempregados, o lazer real causou indignação até na imprensa de centro-direita.

As informações sobre a viagem não foram confirmadas pela monarquia, que se limitou a comemorar o sucesso da cirurgia de correção da fratura, a qual Juan Carlos, de 74 anos, foi submetido no sábado. Apesar do silêncio real, a imprensa espanhola não teve pudores e se mostrou escandalizada pela viagem.

O safari foi denunciado por organizações ambientalistas, insatisfeitas com a participação do rei na caça aos elefantes, prática que está pondo em risco a espécie na África. Monarca respeitado em nível internacional, Juan Carlos é presidente de honra da organização não governamental ambientalista WWF. O tema provocou a ira de defensores dos direitos dos animais em toda a Europa. Na França, a atriz Brigitte Bardot publicou nota classificando de "chocante e escandalosa" a atitude de Juan Carlos. "É indecente e indigno de uma pessoa de sua estatura", afirmou a atriz. "O senhor não vale mais do que os bandidos que saqueiam a natureza. O senhor é uma vergonha para a Espanha."

Não bastasse o conflito de interesses e o hobby politicamente incorreto, o custo da aventura exasperou os espanhóis, que vivem uma das recessões mais graves da União Europeia desde 2007. Em editorial, o jornal El Mundo, identificado com a direita espanhola, sugeriu que a monarquia peça desculpas ao povo espanhol pelo erro. Até ontem, o príncipe herdeiro Felipe, de 44 anos, que exerce as funções de chefe de Estado na licença do pai, não se manifestou sobre as acusações. / A.N. COM AFP E AP

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