Longe do fim a crise do setor de veículos

Pior do que os dados da produção e das vendas de veículos em maio é a constatação de que a crise enfrentada pelo segmento deverá prosseguir nos próximos meses, como previu o presidente da associação das montadoras (Anfavea), Luiz Moan. A produção ainda passará por um "grande corte", disse ao avaliar os resultados do mês passado.

O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2015 | 02h04

Já se sabia que as vendas caíram quase 21% na comparação entre os primeiros cinco meses de 2014 e de 2015, de quase 1,4 milhão de unidades para pouco mais de 1,1 milhão. Com os dados da Anfavea soube-se que a intensidade da queda da produção foi apenas levemente menor: 3,4% no mês (ou 7,5 mil veículos), 19,1% entre os primeiros cinco meses de 2014 e de 2015 (quase 258 mil unidades) e 17,6% nos últimos 12 meses, comparativamente aos 12 meses anteriores (610 mil veículos).

Até o fim do ano, a queda da produção deverá atingir 17,8%, mesmo com alguma recuperação no segundo semestre, prevê a Anfavea.

Os custos da crise para as montadoras surgiram nos últimos meses e se agravaram nas últimas semanas, como as interrupções temporárias da produção, férias coletivas e o regime de lay-off em algumas fábricas. Em maio, foram cortadas 1.380 vagas e, nos últimos 12 meses, mais de 14 mil, de 152.284 postos de trabalho para 138.200.

Mas o efeito das medidas foi insuficiente: os estoques correspondiam a 52 dias de venda em abril e a 51 dias em maio.

Quando se leva em conta que os preços dos veículos subiram quase 5% neste ano, até abril - sob a justificativa de que "os custos de produção aumentaram", como disse Moan -, fica evidente que a indústria "jogou a toalha". Deu sinais de que não acredita em recuperação rápida, tão grave é a situação.

As explicações para a crise do setor de veículos são conhecidas. Trata-se da combinação de menos emprego e menos renda disponível para o consumo com crédito mais caro e mais difícil de obter. Ao projetar dificuldades até julho, a Anfavea parece levar em conta as expectativas quanto ao aperto monetário - já se admite que o juro básico possa superar os 14% ao ano, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), estimulando novo encarecimento do crédito.

O único ponto positivo é o aumento de exportações, de 50,9% entre abril e maio (de US$ 0,84 bilhão para US$ 1,26 bilhão). Mas exportar mais depende de decisão das matrizes.

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