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Lousteau terá pouca autonomia, dizem analistas

Jovem economista tomará posse em dezembro como ministro da Economia do governo de Cristina Kirchner

Ariel Palacios, da Agência Estado,

15 de novembro de 2007 | 21h46

O jovem economista Martín Lousteau, que no dia 10 de dezembro tomará posse como ministro da Economia do governo de Cristina Kirchner, encontrará ao longo de seu primeiro ano um país que crescerá em torno de 7%, segundo especialistas, caso não ocorram inesperadas crises internacionais ou internas. No seminário "Desvendando o futuro", organizado pelo Banco Industrial, os economistas Miguel Bein e Daniel Arriazu indicaram que o PIB crescerá 6,7% em 2008. O presidente Néstor Kirchner anunciou ontem que em setembro o crescimento foi de 9,1% e desde janeiro a média chega a 8,5%. "O mau-humor ocasional vai ocorrer. Mas teremos um bom ano na economia e poderemos continuar fazendo bons negócios tal como neste ano", disse Bein, que integrou o time econômico do governo do ex-presidente Fernando De la Rúa. O setor financeiro e empresarial encara Lousteau adequado para o cargo e para o momento que pede metas concretas de combate à inflação e que evitem uma nova crise energética. Lousteau foi elogiado pelos analistas e empresários como um "jovem brilhante". No entanto, ele terá pouca autonomia, já que a economia continuará sob o controle de Kirchner, futuro "primeiro-cavalheiro" e ministro da Economia "paralelo". Segundo analistas, Lousteau considera que as distorções do modelo econômico kirchnerista devem ser corrigidas de forma gradual, para evitar crises. Ele forma com os ex-presidentes do Banco Central Javier González Fraga e Alfonso Prat-Gay o denominado "Grupo Salamandra", uma união informal, mas que revela uma sintonia majoritária na Argentina sobre os rumos da política econômica. Juntos, eles representam vertentes que obtiveram 85% dos votos emitidos na última eleição. Um dos desafios será o combate à inflação. Segundo o governo, a inflação neste ano ficará abaixo de 10%. Mas analistas afirmam que a administração Kirchner maquia os índices. Para eles, a inflação real está perto dos 20%.  Além de tudo, Lousteau é tido como um jovem ponderado. Conhecidos relatam que só se desespera quando o Independiente, seu time do coração, é derrotado. Segundo a assessoria do jovem ministro, já foram feitos mais de 100 pedidos de entrevista, mas Lousteau não vai responder nenhum.  BNDES argentino Entre os planos elaborados durante a transição do governo do presidente Kirchner para sua mulher, Cristina, está a criação de um banco de desenvolvimento, inspirado parcialmente no modelo brasileiro do BNDES, entidade admirada e invejada pelos industriais argentinos.  O anúncio foi feito pelo chefe do Gabinete de Ministros, Alberto Fernández, braço-direito de Kirchner (e que continuará nesse posto no governo de Cristina). Segundo ele, a idéia é criar uma entidade que financie a compra de maquinaria a prazos mais longos e acessíveis do que os aplicados pelos bancos privados. Fernández também avaliou a composição do gabinete de Cristina Kirchner, que apesar de umas poucas alterações, mantém a maioria dos ministros de seu marido: "Houve mudanças, mas o rumo se mantém."

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