Loyola aprova saída do FMI e cobra investimentos

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, aprovou, em Curitiba, a não renovação do contrato do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas alertou que o governo está jogando fora uma oportunidade para aumentar o superávit e diminuir a relação entre dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) ou para reduzir a carga tributária. "O País está crescendo e aumentando a arrecadação que está sendo gasta não com investimentos, mas com despesas recorrentes", disse Loyola, que proferiu palestras para empresários no Centro Universitário Positivo.Segundo ele, um dos exemplos é a própria fixação do salário mínimo em R$ 300,00, reajustado em índice acima da inflação. "Cria-se uma rigidez maior no déficit da Previdência", criticou. Ele disse que, mesmo sem a renovação do acordo com o FMI, não acredita que o governo deixará de cumprir a meta de superávit primário de 4,25% do PIB. "Mas a qualidade da despesa pública continuará caindo", lamentou. "Para atingir a meta vai exigir sacrifício dos investimentos, o que é um problema quando vemos como está a infra-estrutura no País." Com isso, a capacidade de crescimento econômico fica um pouco comprometida. Suas perspectivas para este e o próximo ano são de que o PIB aumente em torno de 3,5% ao ano. "Se está acima da média do governo Fernando Henrique Cardoso, que foi marcado por várias crises internacionais, está abaixo de países tidos como competidores do Brasil", afirmou. "É insuficiente para resolver as desigualdades sociais do País." Para ele, a saída do FMI reflete de forma positiva tanto política quanto economicamente. "Tem quase um selo, um carimbo de que o pior já passou e o presidente pode dizer, como já disse, que conseguiu superar a fase mais difícil."MP 232Loyola elogiou também a decisão do governo de retirar do Congresso Nacional a Medida Provisória 232. "Ela foi um erro do governo, que não percebeu que a sociedade chegou a um nível de intolerância grande em relação a impostos", acentuou. "Mantê-la seria dar um murro em ponta de faca e acho que não seria aprovada de jeito nenhum."

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