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'Lua de mel' entre Brasil e China acabou, diz jornal

As relações comerciais entre Brasil e China apontam para as diferenças, os desafios e os desencontros existentes entre as duas economias emergentes, diz o jornal Financial Times, em caderno especial sobre o tema, publicado hoje. "Há sinais crescentes de que a lua de mel acabou", afirma o jornal britânico.

DANIELA MILANESE, Agencia Estado

23 de maio de 2011 | 12h26

Segundo o diário, "seria muito difícil encontrar duas grandes nações no mundo moderno que sejam social, política e culturalmente tão diferentes quanto China e Brasil". Em razão disso, o Financial Times alerta para o "crescimento das tensões" entre ambos. Enquanto vê como bem-vinda a demanda chinesa por commodities, o Brasil reclama da entrada de manufaturados chineses baratos, o que traz o risco de desindustrialização.

O crescimento das relações comerciais entre os países e os bilhões obtidos com a venda de matérias-primas estimulam a economia brasileira. Isso permitiu que o governo brasileiro desse início a um boom econômico movido pelo crédito, sem se preocupar com o déficit em conta corrente, na avaliação do jornal. "Pela primeira vez, a classe média baixa tem dinheiro para gastar. Ao mesmo tempo, de repente ela pode bancar a compra de produtos graças a uma enxurrada de importações baratas da China", diz o periódico.

Mas, do ponto de vista industrial, há preocupações. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) argumenta que o superávit comercial brasileiro com a China, de US$ 5,2 bilhões no ano passado, foi obtido graças à venda de commodities. Na área de manufatura, houve déficit recorde de US$ 23,5 bilhões. "Hoje, é difícil encontrar alguma coisa fabricada no Brasil", afirma o jornal, ao lembrar que 80% das fantasias do carnaval deste ano foram importadas, a maior parte da China.

Em visita recente ao país asiático, a presidente Dilma Rousseff pressionou para que a China comprasse mais produtos industrializados do Brasil. Foram fechados negócios com a Embraer e houve o anúncio do compromisso de investimentos da Foxconn, empresa de Taiwan com forte operação na China. Os fabricantes nacionais alertam que o País pode sofrer desindustrialização caso não imponha mais medidas protecionistas sobre o que chamam de dumping de produtos chineses artificialmente baratos, aponta o jornal britânico.

Para o Financial Times, a China também representa outros desafios para o País. "O Brasil é uma democracia liberal que pretende cada vez mais apoiar os direitos humanos, enquanto a China é autoritária e uma repressora brutal das discordâncias." Além disso, o Brasil quer ser uma força dominante na América Latina, enquanto o crescimento do comércio da China na região a tornam uma competidora, avalia o jornal.

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