Luciano Coutinho: 2010 será ano de ouro para debêntures

Presidente do BNDES acredita que este será um dos principais instrumentos de financiamento das empresas

Ricardo Leopoldo, Agência Estado

14 de dezembro de 2009 | 13h26

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou nesta segunda-feira que tem uma expectativa muito positiva para a evolução do mercado de debêntures corporativas no próximo ano. "Nós esperamos que 2010 seja um ano de ouro para o desenvolvimento do mercado de debêntures. Essa é uma questão de curto prazo."

 

De acordo com Coutinho, o mercado de capitais "tem perspectivas muito pujantes de expansão",

sobretudo, com debêntures de empresas, que devem ser, além da oferta pública inicial de ações (IPO,em inglês), um dos principais mecanismos de financiamento corporativo no próximo ano. "Nós

(BNDES) estaremos empenhados em dar suporte à emissão de papéis e, em conjunto com o sistema

bancário, desenvolver um mercado secundário para criar mais liquidez para esses papéis", afirmou.

Coutinho revelou que já teve uma reunião breve com o presidente da Febraban, Fabio Barbosa, na

qual tratou desse tema. 

 

Coutinho também ressaltou que é "preocupante" a perspectiva de aumento do déficit de transações correntes do País para 2010. Com a previsão de avanço do PIB de 6% no ano que vem, junto com o crescimento fraco das exportações, várias instituições financeiras estimam que tal saldo negativo deve mais que dobrar nos próximos 12 meses.

 

De acordo com o JPMorgan, o déficit em conta corrente deve subir de US$ 23 bilhões em 2009 para US$ 56 bilhões em 2010, o que representa um aumento de 1,4% para 3,2% do PIB. "Tenho reiterado sempre que um déficit de conta corrente muito superior a 1,5% do PIB não é muito saudável", comentou Coutinho. Para ele, é importante que o País adote algumas diretrizes para evitar que o saldo negativo das contas externas supere um patamar razoável.

 

Segundo Coutinho, o principal elemento que vai nessa direção é o avanço da poupança doméstica, em todas as suas frentes, sejam elas das famílias, das empresas e do governo. Coutinho acredita que no caso dos cidadãos, a tendência é de melhora dos seus mecanismos de economia de uma parte da

renda disponível, através da aquisição de casas próprias. No caso das companhias, o aumento de

caixa através da geração de lucros também é essencial para aumentar a capacidade dos

investimentos corporativos.

 

Quanto ao setor público, o presidente do BNDES defendeu que o governo se torne mais eficiente,

aumente sua produtividade, a fim de elevar a poupança fiscal. Coutinho defende ainda que, ao longo do tempo, ocorra uma diminuição da taxa de crescimento dos gastos correntes dos poderes Executivo federal, estaduais e municipais, em relação a uma média apurada num determinado período de anos. "Contudo, queremos avanço dos gastos com investimentos, que são essenciais para o desenvolvimento do País."

 

O presidente do BNDES ressaltou que é fundamental que se torne um projeto do País o alcance da

taxa de poupança em relação ao PIB entre 23% e 24% no horizonte de quatro anos. "É o tempo que o

Brasil tem para subir a taxa de investimento, que estava perto de 20% do PIB antes da crise e caiu

para 17,5% do PIB. Temos de voltar para 18%, 19%, 20% (do PIB) e subir constantemente. Essa é a

única maneira de conciliar crescimento econômico com estabilidade de preços. Essa é a política

anti-inflacionária de médio e longo prazos." 

 

 

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