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Luciano Coutinho cobra meta mais ''realista'' da Petrobrás

BNDES defende corte no investimento e diz que estatal está sendo pressionada a aumentar sua ''eficiência''

Daniela Milanese, Correspondente / Londres e Kelly Lima / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, reforçou ontem o coro do governo para que a Petrobrás reduza seu plano de investimentos para os próximos anos. Em entrevista em Londres, Coutinho disse que a Petrobrás deve ter uma meta de investimentos mais "realista". Para ele, os planos atuais da empresa são muito ambiciosos e difíceis de serem colocados em prática.

Na sexta-feira, o conselho de administração da Petrobrás - presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega - rejeitou a primeira proposta de revisão do Plano de Negócios, para o período de 2011-2015. Segundo a Agência Estado apurou, a proposta previa investimentos de US$ 260 bilhões e o governo queria cortar cerca de US$ 30 bilhões, mantendo o valor do plano anterior de US$ 224 bilhões para o período entre 2010-2014.

"O ministro Guido Mantega pediu uma meta mais realista para o conselho de administração da Petrobrás", afirmou Coutinho. Segundo ele, o conselho pressiona para que a empresa seja eficiente, de forma a garantir o retorno dos projetos.

Em nota à imprensa, a Petrobrás informou que o conselho orientou a diretoria a prosseguir com estudos de "sensibilidade". "Um desses estudos incorpora a redução do investimento, mas não é a única questão a ser examinada, já que existem diversas variáveis em estudo."

Para Coutinho, a execução dos planos da Petrobrás enfrenta desafios, como a forte necessidade de fornecedores e de mão de obra. As mesmas dificuldades estão sendo apontadas pela Vale, que sinalizou a redução de investimentos neste ano - dos US$ 24 bilhões previstos inicialmente para US$ 20 bilhões.

"As duas empresas têm programas de investimentos muito ambiciosos e difíceis de implantar", disse Coutinho. "Talvez não sejam planos realistas hoje."

Ontem, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, passou o dia em Brasília discutindo os projetos. Cada diretoria tem "feito a lição de casa", segundo fontes, para definir cortes.

Dúvidas. Em relatório aos clientes, o analista do Credit Suisse, Emerson Leite, disse que "a rejeição do novo plano estratégico desencadeia dúvidas quanto as motivações do conselho". Para ele, a redução para o nível de US$ 224 bilhões é "improvável" e ele aposta que o investimento para os próximos cinco aumente, mas seja "favorável a uma abordagem mais conservadora". "Isso seria um bom sinal de disciplina de capital que não temos visto há algum tempo."

Leite acredita que a dificuldade de corte dos investimentos está principalmente nas áreas do pré-sal. Os planos de investimentos em novas refinarias no Maranhão e no Ceará, no valor de US$ 30 bilhões, foram duramente criticados pelo mercado e defendidos pelo governo como mecanismo de desenvolvimento do Nordeste.

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