TASSO MARCELO/AGENCIA ESTADO/AE
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Pressionado por aumento de custos no Brasil, lucro da Ambev cai 20%

Pressão nos custos veio principalmente de efeitos cambiais e também do aumento de impostos

Luciana Dyniewicz e Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2017 | 07h53

Influenciado sobretudo pelo mercado brasileiro, cujos impostos e custos aumentaram, o desempenho da Ambev no primeiro trimestre deste ano ficou abaixo do esperado por analistas, com uma queda de 20,1% no lucro líquido ajustado, de R$ 2,9 bilhões para R$ 2,316 bilhões, na comparação com o mesmo período de 2016.

Os custos brasileiros avançaram principalmente em decorrência de efeitos cambiais. Uma pressão desses custos já era esperada, de acordo com o analista Gabriel Lima, do Bradesco, por causa de operações de hedge (proteção contra flutuações da moeda) desfavoráveis.

A política de hedge cambial da Ambev fez com que o efeito da depreciação do real ocorrida no começo de 2016 sobre o custo de matérias primas dolarizadas, como o alumínio, fosse sentido apenas agora, no primeiro trimestre de 2017. Em relatório, o Itaú BBA, afirmou que também esperava que as operações de hedge prejudicassem os resultados, mas que o dano foi bastante superior ao estimado.

A empresa registrou ainda Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 4,356 bilhões, retração de 17,3% na comparação anual. A margem Ebitda chegou a 38,7%, recuo de 6,8 pontos porcentuais.

Ações. Apesar do resultado fraco, as ações ordinárias da companhia encerraram o dia com alta de 2,53%, valendo R$ 19,03. O mercado recebeu bem a notícia de que as vendas de cerveja em volume da Ambev cresceram pela primeira vez em cinco trimestres. A alta foi de 3,4% entre janeiro e março, enquanto o mercado recuou 2%, o que levou a companhia a recuperar a participação de mercado – no ano passado, a empresa havia registrado retração de 6,7% no volume comercializado, enquanto o mercado recuara 5,5%.

A Ambev não divulgou seu novo “market share”, mas analistas do BTG Pactual calcularam que a fatia da empresa no mercado brasileiro de cervejas tenha ficado entre 68% e 69%. Por essa estimativa, a companhia pode ter ganho quase três pontos porcentuais de share na comparação com os 66,3% do fim de 2016. De acordo com relatório do Itaú BBA, o aumento na participação foi de dois pontos e ocorreu principalmente por causa dos patrocínios de Carnaval. O presidente da Ambev, Bernardo Paiva, destacou, em entrevista ao Estado, que este foi o melhor e maior Carnaval da história da empresa – houve ações de marketing em 40 cidades, atingindo 35 milhões de pessoas.

Medidas. Segundo o executivo, a Ambev perdeu mercado em 2016 porque, com a crise, houve uma migração do consumo para as marcas mais baratas – segmento em que a companhia não atua. Um dos trabalhos da empresa para reverter a tendência, segundo Paiva, foi investir em marketing para que o consumidor não abra mão das marcas que já estava acostumado.

Outra medida adotada foi reforçar a presença das garrafas retornáveis de 300 ml nos supermercados, cujo preço por litro é 30% inferior ao das latinhas. “O custo de aquisição (da garrafa) é menor porque o custo de produção é inferior, já que elimina o custo com embalagem”, destacou Paiva.

Os vasilhames de vidro correspondem hoje a 25% das vendas da empresa no supermercado. Para Gabriel Lima, do Bradesco, as garrafas de vidro de 300 são uma “excelente ideia” da empresa por garantir margens maiores, mas o produto ainda é subestimado pelo investidor. “É um acerto no longo prazo, mas que prejudica no curto por aumentar a complexidade da cadeia logística (pois as garrafas precisam ser recolhidas)”, disse ao Estado.

Paiva destacou ainda que a empresa investiu R$ 1,5 milhão para desenvolver uma máquina própria de coleta de vasilhame e que a Bohemia também passará a ser vendida nas garrafas de 300 ml, como já é feito com Brahma, Skol e Antarctica.

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