José Cruz/ Agência Brasil
José Cruz/ Agência Brasil

Lucro da Caixa aumenta 21,6% no segundo trimestre e chega a R$ 4,2 bilhões

No semestre, o lucro chegou a R$ 8,1 bilhões; a carteira de crédito do banco encolheu tanto no segmento de pessoa física quanto em empresas

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 08h23

A Caixa Econômica Federal apresentou lucro líquido contábil de R$ 4,212 bilhões no segundo trimestre, cifra 21,6% maior que um ano antes, que foi de R$ 3,464 bilhões. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, o crescimento foi de 7,4%. No semestre, o lucro líquido contábil totalizou R$ 8,1 bilhões, 22,2% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado, de R$ 6,655 bilhões. A Caixa encerrou junho com R$ 1,3 trilhão em ativos totais, cifra 3,3% maior em um ano.

A carteira de crédito da Caixa totalizou R$ 682,4 bilhões no segundo trimestre, queda de 0,5% ante o primeiro e de 1,9% em um ano. Tanto o segmento de pessoa física quanto o de jurídica encolheram no período.

Segundo Pedro Guimarães, presidente da Caixa, vários fatores levaram ao resultado. O destaque do balanço porém, para ele,  foi a retirada da ressalva que se arrastava desde 2016. Os auditores destacavam a investigações da Polícia Federal envolvendo o banco público. "A retirada mostra empenho da gestão em governança", afirmou ele, em coletiva de imprensa, na manhã desta terça, 2. A Coluna do Broadcast antecipou a negociação com os auditores da PwC em 21 de junho. Dentre os ajustes na área feitos pela gestão atual, Guimarães citou a renovação da vice-presidência e das diretorias. 

Guimarães disse ainda que o banco recuou na ideia de adiar o programa de desligamento voluntário de funcionários (PDV). A iniciativa teve mais de 2,5 mil adesões e a Caixa encerrou junho com 95.433 funcionários. Ante o primeiro trimestre, o quadro baixou em torno de 500 contratados.

Guimarães também falou sobre a intenção do banco de diminuir sua estrutura física. Até o ano que vem, 70 agências serão fechadas. Em relação a custos, o banco cortou 98% dos investimentos feitos em propaganda. Eles foram de R$ 145 milhões no segundo trimestre do ano passado para R$ 3,4 milhões no mesmo intervalo deste ano. "Mas já estamos voltando", afirmou, sem dar mais detalhes.

Venda de ações

Considerando ajustes, o lucro líquido recorrente da Caixa foi de R$ 3,7 bilhões, cifra 3% maior ante o segundo trimestre de 2018, de R$ 3,6 bilhões. A diferença entre o lucro líquido contábil e o recorrente se dá, principalmente, por causa do impacto positivo de R$ 2,279 bilhões com a venda das ações da Petrobrás. Do lado negativo. o banco cita R$ 683 milhões em gastos com programa de desligamento voluntário de funcionários.

No semestre, o lucro líquido recorrente da Caixa somou R$ 7,6 bilhões, elevação de 3% ante o mesmo período do ano passado, de R$ 7,3 bilhões. 

Em relação as próximos passos do banco, Guimarães afirmou que órgãos reguladores preferem que a venda da fatia no Banco Pan (ex-Panamericano), de R$ 4,3 bilhões, seja feita via uma nova emissão de ações e não para um investidor estratégico. "Em conversas com os reguladores, há uma clareza de que é melhor que a venda seja feita por follow on (reemissão de ações)", afirmou.

De acordo com ele, a Caixa não venderá sua participação no Banco Pan "de uma vez só". "Podemos vender duas, três vezes, mas não vamos colocar pressão nas ações (do Banco Pan). Não faz nenhum sentido para a Caixa ficar na gestão de um banco ágil que pode ser uma corporation (de capital pulverizado) ou do BTG Pactual", afirmou Guimarães.

A expectativa é que o banco público se desfaça de ao menos parte de sua participação na reemissão a ser realizada em meio à volta das férias no Hemisfério Norte, que está sendo preparada pelo Pan, inclusive com bancos assessores selecionados.

Seguridade

Guimarães disse ainda que há chances de a abertura de capital da holding de seguros do banco, a Caixa Seguridade, sair este ano. Caso a operação, que marcará a primeira empresa listada da Caixa, aconteça em 2019, a de cartões ficará para 2020. Apesar disso, Guimarães disse que não há uma data fechada. "Será nossa primeira oferta de ações", disse. "É emblemática."

Em cartões, a maior parceria em andamento é para atuar no setor de maquininhas (adquirência). Além disso, a Caixa também procura um parceiro para ter uma segunda bandeira de cartões e negocia um terceiro negócio nesta área. "A maior de todas é adquirência e depois vem bandeira. As outras são menos impactantes", afirmou.

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