Wilton Junior/Estadão - 16/4/2020
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Lucro da Caixa cai 7,5% no primeiro trimestre, para R$ 3 bi

Com a atuação em ações de combate à crise provocada pelo novo coronavírus, o banco aumentou em 2% o total de empréstimos no período; ao contrário de outras grandes instituições, a Caixa não reforçou sua proteção contra calote

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2020 | 08h37

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quinta-feira, 21, que registrou lucro líquido recorrente de R$ 3 bilhões no primeiro trimestre do ano, valor 7,5% menor que no mesmo período de 2019. Na comparação com os três meses anteriores, porém, houve crescimento de 21,5%.

Com forte atuação em ações de combate à crise deflagrada pelo novo coronavírus, a Caixa conseguiu reverter a trajetória da sua carteira de crédito, que apresentava queda. O saldo de empréstimos do banco subiu 2% no primeiro trimestre ante um ano, totalizando R$ 699,6 bilhões. Na comparação com o trimestre anterior, o aumento foi de 0,9%.

O banco público informou ter disponibilizado mais de R$ 154 bilhões para apoiar a economia em meio à pandemia. Desse total, R$ 60 bilhões foram para o capital de giro de micro, pequenas e médias empresas; R$ 43 bilhões para o crédito imobiliário; R$ 40 bilhões para a compra de carteiras; R$ 6 bilhões para o crédito agrícola; e R$ 5 bilhões para crédito às Santas Casas.

A Caixa explicou, no relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, que seu resultado foi afetado pela queda da margem financeira, reflexo de sua  agressividade na redução das taxas de juros nas linhas de crédito. Também afetou o lucro a paralisação do cronograma de venda de ativos durante a pandemia, o que impediu esse ganho extre para a instituição. 

O banco fechou março com R$ 1,313 trilhão em ativos totais, cifra 1,6% maior em relação a dezembro. No comparativo anual, o aumento foi de 1,7%. O patrimônio líquido atingiu R$ 83,385 bilhões, aumento de 3,4% em relação aos três meses anteriores e 1,8% menor ante o primeiro trimestre de 2019.

Inadimplência

Diferentemente dos grandes bancos, a Caixa não informou nenhum reforço em seu colchão contra calotes no primeiro trimestre devido à pandemia do novo coronavírus. O banco afirmou que não fez alterações no processo de apuração da provisão de risco de crédito, considerando as características de suas operações concentradas em operações de longo prazo, com garantias reais e com mais de 90% das operações classificadas em níveis de riscos entre AA e C, de melhor qualidade.

"A Caixa continuará acompanhando as operações de crédito em relação à evolução da pandemia", justificou o banco. Com isso, o saldo total provisões para devedores duvidos, as chamadas PDDs, foi de R$ 34,931 bilhões no primeiro trimestre, queda de 0,6% ante os três meses anteriores. No comparativo anual, o recuo chegou a 2,8%.

O índice de inadimplência do banco, considerando atrasos acima de 90 dias, chegou a 3,14% no período, aumento de 0,68 ponto porcentual em relação ao visto há um ano e de 0,97 ponto na comparação com os três meses anteriores.

A piora no indicador de calotes da Caixa se deu, sobretudo, na carteira de crédito imobiliário e nos empréstimos a pessoas jurídicas. Apesar disso, o banco destacou que sua inadimplência ficou abaixo da média do mercado, de 3,17%.

A carteira habitacional teve inadimplência de 2,86% no primeiro trimestre de 2020, com crescimento de 1,05 ponto porcentual em 12 meses. Ante os três meses anteriores, a piora chegou a 1,26 ponto porcentual.

No segmento de crédito comercial a inadimplência passou de 5,02% ao fim de dezembro para 5,71% em março. Na divisão de pessoas físicas e jurídicas, os calotes subiram em ambos os segmentos. O indicador que mostra a inadimplência acima de 90 dias do crédito a empresas passou de 4,59% no fim de dezembro para 5,45% em março. O das pessoas físicas foi de 5,27% para 5,89%.

Crédito imobiliário 

A carteira de crédito imobiliário da Caixa atingiu R$ 470,4 bilhões no primeiro trimestre, elevação de 5,2% na comparação anual. Com tal desempenho, o banco segue líder nesse mercado, com 69,1% de participação.

Do total da carteira, R$ 293,1 bilhões foram concedidos com recursos do FGTS e R$ 177,4 bilhões com recursos próprios do banco. A Caixa informou que no primeiro trimestre foram contratados R$ 7,4 bilhões no programa Minha Casa Minha Vida, o equivalente a 66,5 mil unidades habitacionais.

Nas novas modalidades de crédito imobiliário, uma atrelada ao índice de inflação (IPCA) e outra com juros prefixados, foram firmados 9,7 mil contratos, totalizando R$ 2,5 bilhões contratados.

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