Lucro da Caixa é 89,4% menor no 3 º trimestre

Resultado de R$ 62,5 milhões no período foi provocado pelo aumento da inadimplência de pequenas empresas e gastos maiores com pessoal

Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

O aumento da inadimplência nas pequenas empresas e gastos maiores com pessoal diminuíram o lucro da Caixa Econômica Federal, no terceiro trimestre, em 89,4% na comparação com igual período de 2006. O ganho do banco foi de R$ 62,5 milhões nos três meses, inferior à média dos concorrentes, como Banco do Brasil (BB), Bradesco e Itaú, que apresentaram ganho na casa do bilhão de reais. No acumulado do ano, o resultado caiu 8,1%, para R$ 1,778 bilhão. A direção da Caixa não demonstrou preocupação com a piora do resultado, preferindo ressaltar o perfil social do banco. Enquanto o lucro trimestral da Caixa não atingiu sequer R$ 100 milhões, o BB reportou resultado de R$ 1,4 bilhão no trimestre. Na comparação com os concorrentes privados, a diferença é ainda maior, já que o Bradesco lucrou R$ 1,9 bilhão e o Itaú, R$ 2,4 bilhões, no mesmo período.Em comunicado à imprensa, a presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho, classificou o resultado como "adequado" para a instituição. "A Caixa apresenta lucro, trabalha para isso, mas também busca outros objetivos", disse. Os outros objetivos, segundo ela, são pagar benefícios sociais e repassar recursos para Estados e municípios. Por isso, ela diz não ser adequado comparar a Caixa com instituições privadas.O principal motivo para o lucro decrescente, segundo o balanço, foi o aumento da inadimplência. No trimestre, o banco destinou R$ 545 milhões para a provisão de créditos com pagamento duvidoso. O valor é 218,7% maior que o visto em igual período de 2006. O vice-presidente de Controle e Riscos da Caixa, Marcos Vasconcelos, explicou que o salto foi determinado principalmente pelo aumento da inadimplência nas pequenas e médias empresas. Nesse segmento, o crédito cresceu fortemente e a área de análise de risco da instituição não teria conseguido acompanhar o ritmo. "Tivemos uma falha operacional criada pela ampliação muito grande do volume de crédito, que gerou necessidade de um trabalho maior de retaguarda (análise de crédito). Foi aí que tivemos um estrangulamento", admitiu. Entre as linhas que mais sofreram com a inadimplência estão o desconto de duplicatas e recebíveis como cartão de crédito. O banco não divulga os índices de pagamento em atraso nesse segmento, mas a inadimplência na pessoa jurídica saltou de 5,3% em janeiro de 2006 para 8% em fevereiro de 2007. O efeito desse aumento, segundo Vasconcelos, ainda foi visto no último balanço trimestral, mas já estaria em trajetória descendente e teria voltado ao patamar de 5,3% em outubro.A falta de pagamento também afetou as pessoas físicas, majoritariamente cheque especial e cartão de crédito, coincidentemente as duas linhas de crédito em que a Caixa tem apresentado taxa de crescimento maior que a média.Despesas extraordinárias também prejudicaram o resultado. O banco destacou R$ 250 milhões no trimestre e R$ 738 milhões no ano como provisão para possível gasto com a correção de poupanças nos planos econômicos das décadas de 80 e 90.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.