FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Lucro da Caixa estaciona no 1º tri e inadimplência tem maior nível em 6 anos

Banco estatal lucrou R$ 1,5 bilhão nos primeiros três meses do ano; resultado foi impactado pelo aumento nas provisões para créditos duvidosos, que dobraram no período

Reuters e Agência Estado

03 de junho de 2015 | 15h09

Atualizado às 16h56

SÃO PAULO - O lucro da Caixa Econômica Federal estacionou no primeiro trimestre e atingiu R$ 1,5 bilhão, valor estável em relação ao mesmo período de 2014 e 16,7% menor do que o visto no quarto trimestre do ano passado. O índice de inadimplência, por sua vez, subiu e registrou o pior nível em seis anos. 

Já as provisões para crédito de liquidação duvidosa dobraram no primeiro trimestre na comparação com um ano antes, para R$ 5 bilhões. As provisões são reservas feitas pelos bancos para proteger o patrimônio de futuras perdas relacionadas a empréstimos concedidos. 

Os bancos privados também precisaram aumentar as provisões para devedores duvidosos, em meio a um maior pedido de recuperações judiciais e da revisão de ratings de grandes empresas, a reboque da Operação Lava Jato. 

No entanto, o aumento dessas despesas e a piora sazonal da inadimplência não impediram que os bancos privados mantivessem o crescimento do lucro na casa de dois dígitos no primeiro trimestre, como já esperavam analistas do mercado. Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander tiveram resultado líquido contábil de R$ 11,6 bilhões no período, cifra 18% superior à registrada no mesmo intervalo do ano passado.

De acordo com a vice-presidente de Riscos da Caixa, Alexsandra Camelo Braga, o aumento das provisões para créditos duvidosos no período seguiu as regras do Banco Central como, por exemplo, para clientes que entram em recuperação judicial. "Esse aumento decorreu, em grande parte, do alinhamento do nível de provisionamento ao nível de risco da carteira de crédito comercial", informou a Caixa, no balanço.

No fim de março, a carteira de crédito ampliada da Caixa somava R$ 624,4 bilhões, avanço de 20,1% em 12 meses. O avanço porcentual é quase o dobro da média obtida pelos rivais Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil no mesmo período.

Por outro lado, a Caixa seguiu a tendência dos demais bancos de piora na qualidade da carteira. Seu índice de inadimplência acima de 90 dias bateu 2,86% no trimestre, ante 2,63% um ano antes, o pior resultado em seis anos.

O vice-presidente de Finanças e Controladoria da Caixa, Márcio Percival, disse que a piora da inadimplência ocorreu dentro da banda esperada pelo banco, de 2,5% a 3%. "A inadimplência cresceu dentro das nossas expectativas e sofreu impacto da sazonalidade normal do primeiro trimestre", disse.

No primeiro trimestre, o retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio foi de 13,7%, queda de 10 pontos percentuais sobre um ano antes e abaixo dos níveis de todos os principais concorrentes.

Habitação. Apesar de recentes medidas do governo federal para restringir a concessão de crédito habitacional, segmento do qual a Caixa é líder no país, o banco viu sua carteira imobiliária crescer 24,6% em 12 meses até março, para R$ 354,2 bilhões. 

As contratações da carteira de crédito habitacional somaram R$ 27,1 bilhões até março de 2015, dos quais R$ 10,7 bilhões com recursos do FGTS, incluindo subsídios, R$ 16,3 bilhões com recursos do Caixa/SBPE e R$ 88 milhões contratados com outros recursos.

No Programa Minha Casa Minha Vida, foram contratados pela Caixa R$ 11,1 bilhões nos primeiros três meses do ano, totalizando 102,6 mil unidades habitacionais. Dessas, 2,4% foram destinadas à Faixa 1, que atende os beneficiários com renda de até R$ 1,6 mil em modalidades integralmente subsidiadas pelo programa.

A poupança da Caixa apresentou saldo de R$ 233,2 bilhões no primeiro trimestre de 2015, alta de 8,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com esse saldo, o banco segue líder com 35,9% de participação, ganho de 0,8 p.p. em 12 meses. Em março de 2015, a instituição possuía 59,2 milhões de contas de poupança, expansão de 10,1% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior.

No primeiro trimestre de 2015, o banco totalizou 80,2 milhões de correntistas e poupadores, aumento de 8,7% em 12 meses e 2,3% em relação ao último trimestre de 2014. A carteira de clientes pessoas físicas atingiu 78 milhões, e a de pessoas jurídicas, 2,1 milhões, expansões respectivas de 8,8% e 5,6% em comparação ao primeiro trimestre de 2014.

Créditos vencidos. A Caixa vendeu R$ 1 bilhão em créditos vencidos já baixados como prejuízo no primeiro trimestre e deve manter essa estratégia nos próximos trimestre, de acordo com Alexsandra Camelo Braga. "Como esses créditos já estão baixados a prejuízo, não refletem no nosso índice de inadimplência", explicou ela, em entrevista ao Broadcast, serviço de informações da Agência Estado.

No ano passado, a Caixa transferiu R$ 8,2 bilhões para uma empresa especializada na recuperação desses empréstimos já baixados a prejuízos. Além disso, firmou um contrato com uma nova empresa para ceder outros R$ 3,7 bilhões. "Vamos seguir com a venda de crédito não performado", disse Alexsandra. (Com informações de Aline Bronzati)

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