Lucro da Eletrobrás cresceu com fundos de pensão

Dos R$ 1,548 bilhão que a Eletrobrás contabilizou como lucro em 2007, R$ 1,224 bilhão resultam do superávit atuarial dos fundos de pensão dos funcionários das empresas ligadas à holding estatal de energia elétrica. A Fundação Real Grandeza, dos funcionários de Furnas, por exemplo, gerou um superávit atuarial de R$ 1,138 bilhão. Sem contabilizar essas receitas, a Eletrobrás teria registrado lucro em torno de R$ 323 milhões, o que representaria queda de 72,2% em relação ao observado no exercício de 2006. Com a apropriação das receitas das fundações de seguridade, o lucro de 2007 registrou aumento de 33,24%.Nem todas as estatais contabilizaram os superávits atuariais de seus fundos de pensão nos resultados da empresa. A Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, por exemplo, está com superávit atuarial acumulado superior a R$ 53 bilhões e esses resultados não foram contabilizados pelo banco estatal. A Petrobras, por sua vez, contabilizou perdas de R$ 1,75 bilhão em 2007 devido a perdas no fundo de pensão patrocinado pela petroleira.Impacto cambialA contínua queda do dólar em relação ao real tem afetado negativamente o balanço da Eletrobrás, que registrou uma variação cambial negativa de R$ 3 bilhões em 2007, ante R$ 1,6 bilhão em 2006. Isso resultou da desvalorização de 17,15% do dólar em relação ao real no ano passado. Como a empresa é credora em dólares, especialmente nos empréstimos para a hidrelétrica de Itaipu, esse movimento reduz os seus ativos, gerando prejuízos. No final de 2007, os empréstimos para Itaipu somavam US$ 8,89 bilhões, conforme o balanço da empresa divulgado ontem à noite. A Eletrobrás não faz hedge (operações para proteção) contra oscilações de moedas.Em contrapartida, a empresa teve um ganho de R$ 529 milhões referentes aos empréstimos em real, com aumento de 60% sobre 2006. A Eletrobrás atua como banco para empresas do setor elétrico. A maior cliente da empresa é a Eletronorte, braço do grupo para operações na Região Norte no País. No final do ano passado, os empréstimos da Eletrobrás para a Eletronorte totalizavam R$ 6,6 bilhões. Outra empresa do grupo que toma muitos empréstimos junto à empresa-mãe é a Chesf, que atua na Região Nordeste, com R$ 4,2 bilhões. A Eletronuclear, responsável pelas duas centrais nucelares do País, tinha dívidas de R$ 2,44 bilhões em dezembro passado. Os empréstimos para Furnas totalizavam R$ 990 milhões.

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