Lucro da Petrobrás cai 21% no ano

Ganho no 3.º trimestre foi de R$ 5,528 bi e ficou abaixo das previsões; valor da estatal cresceu 50% em 12 meses

Kelly Lima e Mônica Ciarelli, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

A Petrobrás teve lucro líquido de R$ 5,528 bilhões no terceiro trimestre, resultado 22% inferior ao do mesmo período de 2006 e 27% menor que a projeção média (de R$ 7,6 bilhões) de cinco instituições financeiras que acompanham o setor - Banif, Itaú, Fator, Brascan e Corretora Ágora. Entre janeiro e setembro, os ganhos caíram 21%, para R$ 16,5 bilhões.O resultado ruim veio após dois dias de altas expressivas das ações da companhia, por conta do anúncio do volume de reservas da megajazida de Tupi, na Bacia de Santos.A estatal atribuiu a queda a alguns fatores: perda cambial sobre ativos em dólar, menor provisionamento de juros sobre capital próprio e gastos vinculados à repactuação de cláusulas do regulamento do plano de pensão. Na divulgação do balanço, porém, a companhia preferiu destacar o aumento de 50% no valor de mercado nos últimos 12 meses. Pelo critério financeiro, a Petrobrás vale hoje R$ 285,333 bilhões. O diretor-financeiro da estatal, Almir Barbassa, ressaltou que a desvalorização do dólar ante o real vem compensando este ano a alta do preço do barril de petróleo no mercado internacional. Segundo ele, o fato de a companhia ter mantido estáveis os preços da gasolina e do diesel não significa que a empresa não tem acompanhado o valor do barril no exterior. "A empresa acompanhou perfeitamente", garantiu. O diretor informou que o preço médio de derivados de petróleo entre janeiro e setembro foi de R$ 154,21, ante os R$ 155,27 apurados no mesmo período no ano passado. A Petrobrás importou, no trimestre, 10% mais petróleo: 412 mil barris por dia, ante 373 mil barris em igual período de 2006. O volume de derivados importados também cresceu (47%), de 137 mil para 201 mil barris por dia. No ano, a Petrobrás teve acréscimo de 8% na importação média de petróleo e de 34% nas compras de derivados. A estatal também aumentou as exportações de petróleo no terceiro trimestre em 10%, passando de 355 mil para 392 mil barris por dia. Com relação às exportações de derivados, o aumento foi de 26%, passando de 221 mil para 278 mil barris por dia. "Sustentando a tendência de crescimento da produção, nos próximos três meses serão iniciadas as operações de três novos grandes sistemas de produção de petróleo", diz o comunicado, referindo-se a campos no Espírito Santo.A Petrobrás tem como meta reduzir o custo de extração de petróleo em US$ 0,50 em 2008, por conta da entrada em produção de novas plataformas. "A partir do momento em que a plataforma começa a produzir na capacidade máxima, minimiza os custos com sua instalação e manutenção", disse Barbassa.Ainda segundo ele, na próxima semana deverá entrar em operação a plataforma FPSO Cidade de Vitória, para o módulo 2 do Campo de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo, e também a P-52, no Campo de Roncador. As duas plataformas têm capacidade de produção de, respectivamente, 100 mil e 180 mil barris por dia. Para dezembro, também entra em operação a plataforma P-54, no Campo de Roncador, com capacidade de 180 mil barris por dia.Para Barbassa, o atraso na entrada dessas plataformas em operação e os problemas técnicos enfrentados pela estatal na plataforma P-50 não tiveram forte impacto porque "a empresa não perdeu, deixou de ganhar, mas esse volume de produção só foi adiado para o próximo ano".O gerente-executivo da estatal, Francisco Nepomuceno, observou que a P-50 já está produzindo 20 mil barris por dia a mais do que o esperado pela estatal para este ano. Ele admite, no entanto, que cada dia de atraso a mais na entrada em produção das demais unidades deixa mais longe a meta da estatal de atingir o pico de produção de 2 milhões de barris por dia até o dia 31 de dezembro.

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