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Lucro da Petrobras cai 39% no 3º trimestre

Sob forte pressão do descompasso entre os preços da gasolina e diesel vendidos no País e os preços internacionais, a Petrobrás fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 3,39 bilhões. A queda em relação ao mesmo período do ano passado foi de 39%; em relação ao segundo trimestre deste ano, o tombo foi ainda maior: 45,3%. O resultado frustrou as expectativas dos analistas, que previam resultado em torno de R$ 5,7 bilhões.

ANDRÉ MAGNABOSCO, IRANY TEREZA, MÔNICA CIARELLI E SABRINA VALLE, Agencia Estado

26 de outubro de 2013 | 07h44

Na carta que acompanhou o balanço, divulgado ontem à noite, a presidente da companhia, Graça Foster, destacou o impacto do aumento da defasagem num momento de forte demanda interna por combustíveis. Para suprir o mercado de diesel, por exemplo, a estatal foi obrigada a importar o produto, a um preço mais alto, para vender no Brasil por um valor mais baixo.

Pela primeira vez, a Petrobrás deu um sinal mais firme de mudança na metodologia de aumento de gasolina e diesel. De acordo com o que foi descrito por Graça, em busca de uma "convergência de preços" aos patamares internacionais, a diretoria da estatal apresentou ao Conselho de Administração, presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, "uma metodologia de precificação a ser praticada pela companhia, através da qual se tenha maior previsibilidade do alinhamento dos preços domésticos do diesel e da gasolina aos preços internacionais".

O conselho, que se reunirá duas vezes em novembro, analisará na segunda reunião, no dia 22, os resultados das simulações feitas pelos técnicos da Petrobrás. "Ainda que tenhamos tido quatro reajustes de preço de diesel e dois de gasolina nos últimos 16 meses, totalizando 21,9% e 14,9% de aumento, respectivamente, a forte depreciação do real verificada desde maio de 2013, chegando a 22% de desvalorização, fez com que a defasagem voltasse a crescer nos últimos meses", disse Graça, no comunicado ao mercado.

A discrepância entre os preços se reflete não apenas na receita da estatal, mas também no indicador que mede o nível de endividamento da empresa. A relação entre o endividamento líquido e o patrimônio líquido (alavancagem) no terceiro trimestre foi de 36%, acima do limite desejável que havia sido estabelecido pela companhia, com teto fixado em 35%.

Isso significa que a Petrobrás tem recorrido a uma parcela muito grande de capital de terceiros para se financiar. Essa situação tem preocupado agência de classificação de risco, como a Moody''s, que já rebaixou a nota dada à dívida de longo prazo da companhia. Medidas como essa podem representar o encarecimento do financiamento externo à Petrobrás.

O indicador de "alavancagem" ganhou importância em 2010, ano em que a estatal realizou sua megacapitalização, de mais R$ 120 bilhões. Na oportunidade, uma das razões para a operação foi justamente a preocupação de que o indicador colocasse em risco a nota de agências de rating.

Ao lado disso, a petroleira não conseguiu ainda elevar o seu patamar de produção, que manteve a estabilidade no terceiro trimestre, embora tenha apresentado avanço de 3,7% em setembro em relação a agosto. Na carta aos acionistas, Graça deixou um recado ao citar empresas que atrasaram entrega de equipamentos e a dificuldade de aquisição de embarcações no Brasil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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