Lucro da Petrobras reflete queda do petróleo e demanda

O lucro líquido consolidado da Petrobras no primeiro trimestre deste ano, de R$ 5,816 bilhões, com queda de 20% sobre o mesmo período do ano passado, refletiu a redução no preço de matérias-primas (commodities) e a retração da demanda por derivados no mercado interno. Já o aumento de 6% na produção de óleo e gás no País e o reajuste de preços do diesel e da gasolina em maio de 2008, bem como a redução das importações e das participações governamentais, em decorrência das cotações do petróleo, atenuaram esses efeitos, conforme explica a empresa no relatório da administração que acompanha o balanço divulgado esta noite.

TATIANA FREITAS E EQUIPE AE, Agencia Estado

11 de maio de 2009 | 20h03

No primeiro trimestre de 2009, o lucro operacional foi de R$ 10,220 bilhões, com redução de 12% sobre o mesmo período de 2008. Sobre o trimestre imediatamente anterior, houve expansão de 117,3% no lucro operacional. A empresa explica que essa evolução demonstra a disciplina de capital que vem sendo observada em todas as atividades da companhia, bem como o maior impacto no trimestre anterior de perdas na recuperação de ativos (impairment) e da desvalorização de estoques.

Segundo o relatório da administração, esses fatores compensaram parcialmente os efeitos da menor demanda no mercado interno e externo, da redução no resultado financeiro e da ausência do benefício fiscal relacionado a juros sobre o capital próprio, permitindo situar o lucro líquido do primeiro trimestre em R$ 5,816 bilhões.

Exploração e produção

O lucro da área de Exploração e Produção da Petrobras caiu 74% no primeiro trimestre de 2009, em relação ao mesmo período de 2008, totalizando R$ 2,485 bilhões. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, quando essa área de negócio teve lucro de R$ 5,292 bilhões, a queda é de 53%. A mudança de patamar dos preços do petróleo foi a justificativa apresentada pela empresa para a expressiva redução no resultado.

A estatal também citou a queda no volume de vendas de gás natural, refletindo retração na demanda, e maiores custos exploratórios, devido à baixa de poços secos ou sem viabilidade econômica, como fatores que influenciaram o desempenho da área. Parte desses efeitos, no entanto, segundo a empresa, foi compensada pelo aumento de cerca de 6% na produção diária de óleo e gás e pela redução nos custos com participações governamentais.

Abastecimento

Por outro lado, a queda na cotação do petróleo beneficiou a área de abastecimento da estatal. O segmento reverteu resultado negativo de R$ 435 milhões, no primeiro trimestre de 2008, para um lucro de R$ 4,576 bilhões no intervalo de janeiro a março de 2009. O avanço de 1.152% no resultado reflete redução nos custos de aquisição de petróleo e de importação de derivados. Parte dos efeitos positivos, no entanto, foi parcialmente compensado por queda no volume de vendas no mercado interno e redução de 7% nos preços médios de venda de derivados, apesar da manutenção dos preços da gasolina e do diesel no mercado doméstico, que certamente contribuíram para o aumento do lucro. No quarto trimestre de 2008, essa área de negócios havia registrado prejuízo de R$ 1,564 bilhão.

Na área de gás e energia, também houve redução no prejuízo da empresa, na comparação anual. Nos três primeiros meses deste ano, as perdas da Petrobras com esse negócio somaram R$ 80 milhões, ante prejuízo de R$ 398 milhões no primeiro trimestre do ano passado. Já em relação ao quarto trimestre de 2008, quando o resultado desse segmento foi negativo em R$ 24 milhões, houve deterioração dos números.

Na distribuição, houve queda de 27% no lucro do primeiro trimestre, na comparação com igual intervalo de 2008, para R$ 228 milhões. Já a área internacional amargou prejuízo de R$ 362 milhões, ante lucro de R$ 38 milhões no mesmo período de 2008.

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