Lucro da Usiminas recua 58% e vai a R$ 1,344 bi em 2009

Companhia diz que custos com ociosidade e menor volume de vendas e receita provocaram queda

Luana Pavani e Raquel Massote, da Agência Estado,

25 de fevereiro de 2010 | 10h04

A Usiminas registrou no quarto trimestre de 2009 lucro líquido de R$ 633 milhões, 32% menor que os R$ 936 milhões do mesmo período de 2008. No exercício de 2009, o lucro líquido também apresentou queda, de 58%, para R$ 1,344 bilhão, ante os R$ 3,224 bilhões do acumulado de 2008.

 

Em relatório, a companhia justifica o recuo em decorrência do menor volume de vendas e receita, além do custo de ociosidade pela parada ou redução do nível de atividade de alguns equipamentos. A receita líquida do quarto trimestre alcançou R$ 2,984 bilhões, o que significa uma retração de 20% ante o mesmo trimestre de 2008. No ano, a receita foi de R$ 10,924 bilhões, 30% inferior a 2008.

O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) teve queda de 53% na comparação entre quarto trimestres, para R$ 663 milhões, e de 75% na comparação anual, para R$ 1,486 bilhão. As margens Ebitda também encolheram, respectivamente para 22,2% no trimestre, ante 38,1% no 4º trimestre de 2008, e 13,6% no ano, ante 38,3% em 2008. A receita líquida financeira ficou positiva no 4º trimestre do ano passado em R$ 93,502 milhões, ante despesa financeira líquida de R$ 839,534 milhões em igual período de 2008. No acumulado de 2009, a empresa teve receita financeira líquida de R$ 803,537 milhões (ante despesa de R$ 1,187 bilhão em 2008).

 

Vendas

 

As vendas físicas totais da Usiminas no quarto trimestre de 2009 subiram 17% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, para 1,7 milhão de toneladas. A maior parte das vendas, 71% do total, foi destinada ao mercado interno.

 

A Usiminas informou ainda que após a crise vivida pela economia internacional a partir de 2008, o setor siderúrgico, um dos mais impactados, se viu obrigado a reduzir a produção dos altos fornos e o Brasil se tornou um importador líquido de produtos que utilizam aço. As vendas das usinas em 2009 foram reduzidas em todos os segmentos de mercado, mas alguns como o automotivo e utilidades domésticas caíram menos, favorecidos pela redução de impostos e melhores condições de crédito. Os setores de bens de capital, por outro lado, foram muito afetados pela redução dos investimentos e das exportações e apresentaram maiores retrações.

 

As importações de aço, que já vinham crescendo desde 2007, evoluíram significativamente em 2009 em função da oferta de produtos originados de países como a China, Rússia e Ucrânia, além da valorização do real.

 

No entanto, para este ano, dadas as expectativas de mercado para o crescimento do PIB superior a 5% e de cerca de 12% na produção industrial, as perspectivas são de crescimento das vendas aos diversos segmentos do mercado. Os dados preliminares do Instituto Aço Brasil (IABr) projetam um crescimento da demanda por aços planos no mercado interno, da ordem de 20%.

 

No médio e longo prazo haverá impactos favoráveis decorrentes dos investimentos necessários para a realização dos mega eventos esportivos e dos investimentos para exploração dos campos de petróleo do pré-sal. Para a Usiminas, este cenário deverá representar para a indústria siderúrgica um aumento contínuo no consumo de aço. Logo na sequência da divulgação do balanço, a empresa anunciou acordo para entrar com participação acionária em duas empresas do setor de construção civil mineiras, Codeme e Metform.

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