Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Lucro da Vale frustra expectativas e cai mais de 98% no segundo trimestre

Desvalorização do real e queda do preço do minério reduziram ganhos da companhia a R$ 60 milhões no período entre abril e junho

Fernanda Guimarães e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2017 | 07h27

RIO e SÃO PAULO - A mineradora Vale fechou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 60 milhões, queda de 98,3% em relação ao mesmo período de 2016. O resultado veio bem abaixo das expectativas do mercado e foi pressionado pela queda do preço do minério de ferro, por ajustes contábeis e pela valorização do dólar em relação ao real, que afeta o resultado financeiro.

Em sua primeira divulgação de resultados como presidente da Vale, o executivo Fabio Schvartsman sinalizou algumas mudanças de estratégia para a multinacional.

“Todos concordamos que o resultado foi mais fraco do que o esperado”, disse Schvartsman a analistas. Após atingir o pico de US$ 95 por tonelada em fevereiro, o preço médio do minério caiu a US$ 62,90. O presidente da Vale garantiu um terceiro trimestre melhor, pelo cenário favorável de preços e o enxugamento da produção de minério com alto teor de sílica, que é menos valorizada.

Schvartsman revelou visão estratégica distinta da gestão anterior, de Murilo Ferreira, em vários pontos. Deixou claro que buscará a diversificação de negócios – ainda que de forma cautelosa –, ao mesmo tempo em que perseguirá “a menor dívida possível”, inferior à meta de US$ 15 bilhões estipulada para 2017 pelo antecessor. Hoje ela é de US$ 22 bilhões.

A Vale também seguirá reduzindo investimentos. No segundo trimestre eles somaram US$ 894 milhões, menor nível trimestral desde 2006. Em 2017, os aportes devem somar US$ 4,2 bilhões. Os desembolsos, disse o diretor executivo de finanças e de relações com investidores da Vale, Luciano Siani, seguirão em queda com a ajuda do fim dos investimentos no projeto S11D, que serão concluídos em 2018, e pela redução dos investimentos em manutenção.

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A diversificação será perseguida inicialmente em negócios em que a Vale já atua, mas não tem resultados satisfatórios. O executivo descartou parcerias estratégicas. As mudanças na Vale serão guiadas por um diagnóstico interno recém-concluído e que será submetido ao conselho de administração em agosto. Ele prevê medidas de redução de custos e a integração das operações da mina ao porto. Haverá ainda mudanças na condução de metais básicos.

Schvartsman, que assumiu o cargo em maio, criticou indiretamente a política anterior para produtos como cobre e níquel, dizendo que a Vale precisa ter operações rentáveis em qualquer cenário de preço. Ele classificou a operação de níquel Vale Nova Caledônia de “sorvedouro de recursos”. A empresa não investirá mais no segmento enquanto ele não trouxer retorno.

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Bolsa. As ações da Vale encerraram o pregão desta quinta-feira, 26, perto da estabilidade, com a PNA em baixa de 0,47%, e a ON em alta de 0,13%. Em reorganização societária, a companhia abriu um processo de conversão das ações preferenciais em ordinárias até o dia 11 de agosto.

Para seguir com a operação, que fará da Vale em uma empresa sem controle definido, o porcentual de conversão deve atingir 54% das PN. Schvartsman comemorou a grande adesão de pessoas físicas e fundos. “Ao fim, a empresa estará protegida de indesejadas intervenções públicas”, disse o executivo.

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