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Lucro da Vale recua 40,5% no trimestre

O efeito avassalador das chuvas que atingiram as principais regiões produtoras da Vale no início do ano, especialmente em Minas Gerais, ficou estampado no balanço operacional e financeiro do primeiro trimestre. O lucro líquido da mineradora encolheu 40,5% em relação aos primeiros três meses de 2011, registrando R$ 6,72 bilhões.

FERNANDA GUIMARÃES, SÃO PAULO , MÔNICA CIARELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h06

Na conta em dólares, o tombo foi ainda maior: os US$ 3,827 bilhões representaram queda de quase 44% em relação a igual período do ano passado. A baixa de 13,41% no preço médio do minério de ferro - carro-chefe das vendas da Vale - em relação ao mesmo período do ano passado também contribuiu para o resultado. No primeiro trimestre, o minério foi comercializado a US$ 109,26 a tonelada.

A inundação nas regiões produtoras obrigou a Vale a decretar estado de força maior para justificar a suspensão temporária dos embarques de minério. A produção foi afetada e as dificuldades de escoamento se estenderam por um longo período. Segundo relatório de produção da mineradora, o volume de produzido de minério de ferro no primeiro trimestre atingiu 69,994 milhões de toneladas, resultado 2,2% inferior ao de igual período do ano passado e 15,6% abaixo do desempenho do período de outubro a dezembro de 2011.

Segundo a empresa, os problemas foram mais sérios nos dois primeiros meses do ano. A partir de março, os embarques de minério de ferro já se recuperaram. No mês, segundo a Vale, os embarques atingiram 31,7 milhões de toneladas, sendo que a China foi responsável, em março, por 53,4% desse total.

A queda no lucro já era esperada. Principalmente por causa dos problemas climáticos enfrentados, analistas de diversos bancos já haviam projetado recuo em patamar semelhante ao divulgado. No entanto, a capacidade geração de caixa e a receita vieram abaixo das expectativas. A receita operacional do grupo foi de R$ 20,1 bilhões, 11% abaixo dos R$ 22,576 bilhões do primeiro trimestre de 2011.

No trimestre, a Vale vendeu 65,193 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas, volume 4,2% inferior ao do mesmo período do ano passado. "Estamos confiantes que iremos entregar os volumes de vendas planejados para este ano. O mercado global de minerais e metais deve permanecer aquecido, e continuamos bem preparados para explorar as oportunidades para criação de valor", informou a mineradora, no texto de divulgação do balanço. Destacou, porém, que o impacto das chuvas foi menor nas vendas pelo fato de a Vale trabalhar com estoques mais elevados.

Mercados. A China segue como o principal destino do minério de ferro e pelotas da Vale. No primeiro trimestre do ano. o país asiático recebeu 47,2% das vendas, com 30,8 milhões de toneladas. "Há sinais que sugerem bom desempenho da produção de aço da China em abril, estimulada pela recuperação da demanda por construção e infraestrutura", diz a companhia.

A Vale destaca a desaceleração verificada no PIB chinês, de 8,9% no primeiro trimestre de 2011 para 8,1% este ano. O enfraquecimento do setor imobiliário chinês, com vendas em queda e construções iniciadas em estagnação, além do investimento apenas moderado em infraestrutura, fez do período o pior desde a crise de 2009. "Houve queda nos estoques de alguns setores e as exportações se desaceleraram devido à fraca demanda da Europa. No entanto, acreditamos que o pior para o crescimento chinês tenha acontecido neste trimestre", diz o grupo.

A Vale aposta numa retomada da economia este ano, tanto no cenário internacional quanto no doméstico. "Após a desaceleração da atividade econômica no último trimestre de 2011, as perspectivas de crescimento global estão gradualmente melhorando", aponta a companhia. Entre os sinais nessa direção, a empresa cita mudanças na política monetária de países emergentes, o investimento na reconstrução de Japão e Tailândia e medidas expansionistas nas principais economias avançadas.

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