Lucro da Vale sobe 344% e chega a R$ 6,6 bilhões no segundo trimestre

Mineração. Resultado é o primeiro divulgado pela empresa após a mudança da metodologia de cálculo dos preços do minério de ferro, que passaram a ser reajustados trimestralmente; faturamento da mineradora no período teve um crescimento de 72,5%

Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

O aumento no preço do minério de ferro impulsionou os resultados financeiros da Vale, que anunciou ontem um lucro de R$ 6,635 bilhões no segundo trimestre. O valor é 344,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

O crescimento reflete a recuperação de preços e volumes vendidos após a crise financeira mundial, que teve efeitos devastadores nos negócios da mineradora - que chegou a fechar minas e demitir funcionários na virada de 2008 para 2009.

O resultado do segundo trimestre foi o primeiro com impacto da nova metodologia de cálculo dos preços do minério, que prevê reajustes trimestrais. O primeiro reajuste nesse novo modelo foi promovido em abril e, segundo a companhia, o preço de venda no segundo trimestre foi 41,95% superior ao registrado no primeiro trimestre.

O novo preço do minério provocou um impacto positivo de R$ 4,501 bilhões na receita da companhia, que fechou o trimestre em R$ 18,981 bilhões, alta de 72,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o aumento das vendas contribuiu com R$ 1,523 bilhão. "Esses resultados refletem a crescente demanda global por minérios e metais, custos operacionais sob controle e os nossos esforços para aumentar a produção", comentou a companhia.

As vendas de minério de ferro e pelotas cresceram 26,7% no período. A empresa, porém, vê sinais de desaceleração econômica no curto prazo. "Durante os últimos quatro trimestres, a produção industrial global cresceu acima de 10% ao ano, taxa não sustentável ao longo do tempo. Assim, o início de um período de desaceleração é um fenômeno esperado", avaliou, em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Projetos. A companhia informou ainda ter entregue, desde janeiro, três dos sete projetos previstos para este ano: uma expansão de 20 mil toneladas por ano em Carajás, a mina peruana de fosfato de Bayóvar e a Companhia Siderúrgica do Atlântico. No período, concluiu ainda a aquisição da Fosfértil, responsável por uma queda de 44% no caixa da companhia, que fechou o trimestre em US$ 6,235 bilhões.

Os investimentos, segundo a companhia, levam em consideração a necessidade de redução da dependência que a companhia tem do mercado asiático, responsável por 47% de sua receita no segundo trimestre. Descontadas as aquisições, a empresa investiu US$ 2,375 bilhões no trimestre.

A Vale informou ainda que fechou junho com uma dívida líquida de US$ 17,724 bilhões, cifra 42,55% superior aos US$ 12,433 bilhões registrados em abril. A companhia fechou o trimestre com uma geração de caixa medida pelo Ebitda de R$ 10,434 bilhões, valor 202,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, refletindo o melhor desempenho da receita.

No acumulado do semestre, o lucro da Vale somou R$ 9,541 bilhões, alta de 104,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa informou ainda que fechou o trimestre com uma projeção de reservas de petróleo e gás de 210 milhões de barris de óleo equivalente.

Cifras bilionárias

R$ 9,54 bi é o lucro da Vale no primeiro semestre, alta de 104% em relação ao mesmo período de 2009

R$ 17,72 bi era a dívida líquida da mineradora em junho

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