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Lucro do Banco do Brasil cai 40,8% e soma R$ 1,8 bi no segundo trimestre

No primeiro semestre, o lucro do BB foi a R$ 3 bilhões, declínio de 49,1% em relação há um ano; provisões contra calotes sobem 60% no período

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2016 | 07h55

SÃO PAULO - O Banco do Brasil encerra nesta quinta-feira, 11, a temporada de balanços dos grandes bancos ao reportar lucro líquido ajustado de R$ 1,801 bilhão no segundo trimestre, montante 40,8% menor que o registrado um ano antes, de R$ 3,040 bilhões. Na comparação com os três meses anteriores, quando totalizou R$ 1,286 bilhão, o resultado foi 40,0% maior.

O resultado veio 6,39% abaixo da projeção média de analistas do mercado, que seria de R$ 1,924 bilhão. Para as estimativas, foram consultadas 11 casas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado: Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs, BTG Pactual, Credit Suisse, Brasil Plural, Morgan Stanley, Safra, UBS e duas que preferiram não ser identificadas.

O lucro líquido do BB considerando eventos extraordinários totalizou R$ 2,465 bilhões de abril a junho, retração de 18,05% na comparação com 12 meses, quando o resultado ficou em R$ 3,008 bilhões. Em relação aos três meses anteriores, de R$ 2,359 bilhões, cresceu 4,49%.

Dentre os eventos não recorrentes no segundo trimestre ante um ano, o BB cita, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, R$ 618 milhões por efeitos fiscais e PLR sobre itens extraordinários, R$ 259 milhões em provisão extraordinária com demandas contingentes e R$ 185 milhões por conta de planos econômicos. Na contramão, o BB reverteu R$ 1,209 bilhão em provisão adicional.

No primeiro semestre, o lucro do BB foi a R$ 3,087 bilhões, declínio de 49,1% em relação há um ano, de R$ 6,065 bilhões. Com ajustes, encolheu 45,34%, para R$ 4,824 bilhões ante R$ 8,826 bilhões.

A carteira de crédito ampliada do Banco do Brasil, que considera títulos privados e garantias, fechou junho em R$ 751,207 bilhões, redução de 3,1% em relação a março, quando somou R$ 775,603 bilhões. Na comparação com junho de 2015, quando estava em R$ 760,025 bilhões, caiu 1,2%. A carteira ampliada gerencial foi a R$ 767,769 bilhões, queda de 3,1% e 1,3%, respectivamente.

O destaque no período, segundo o BB, foram as operações voltadas às pessoas físicas, cujos empréstimos totalizaram R$ 187,458 bilhões no segundo trimestre, montante 1,2% maior em relação aos três meses anteriores e 6,4% em um ano. Já a carteira de pessoa jurídica encerrou junho com saldo de R$ 274,875 bilhões, quedas de 4,1% e 3,7%, respectivamente.

O BB fechou junho com R$ 1,445 trilhão em ativos totais, aumento de 5,4% em um ano, de R$ 1,371 trilhão. Ante março, quando a cifra estava em R$ 1,405 trilhão, o crescimento foi de 2,9%.

O patrimônio líquido do BB foi a R$ 83,449 bilhões no segundo trimestre, alta de 1,0% em 12 meses e queda de 0,8% em relação ao trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido médio ajustado (RSPL) ficou em 7,7% ao final de junho contra 14,2% e 5,6%, respectivamente.

Calotes. A inadimplência do Banco do Brasil, considerando os atrasos acima de 90 dias, subiu para 3,27% ao final de junho contra indicador de 2,60% em março. Em um ano, os calotes pioraram em 1,38 ponto porcentual. O banco informa que, se desconsiderado um caso específico no setor de óleo e gás, o índice teria sido de 2,85%.

O BB era o maior credor da Sete Brasil, que entrou com pedido de recuperação judicial no final do mês passado, entre as grandes instituições e, segundo a lista de credores, concedeu mais de US$ 1 bilhão (R$ 3,7 bilhões) à companhia.

As despesas com provisões para devedores duvidosos (PCLD) do Banco do Brasil totalizaram R$ 8,277 bilhões, aumento de 59,5% em um ano, quando estavam em R$ 5,191 bilhões. Em relação ao primeiro trimestre, de R$ 9,145 bilhões, houve retração de 9,5%. No semestre, os gastos com provisões saltaram 60,6%, para R$ 17,422 bilhões.

O saldo de PDDs da instituição encerrou junho em R$ 30,248 bilhões, aumento de 51,0% em um ano, quando estava em R$ 20,036 bilhões. Em relação ao primeiro trimestre, de R$ 27,161 bilhões, cresceu 11,4%.

Na pessoa jurídica, a inadimplência, considerando atrasos acima de 90 dias, foi a 4,82% ao final de junho ante 4,01% em março e 2,72% em um ano. Já na pessoa física, os calotes foram a 2,40%, ante 2,41% e 2,16%, respectivamente.

Perspectivas piores. O Banco do Brasil revisou a projeção para o desempenho da sua carteira de crédito neste ano sob a justificativa do desempenho da pessoa jurídica. Os empréstimos, considerando o conceito ampliado - interno, devem encolher até 2% ou subir 1% no melhor cenário. A projeção anterior era de crescimento de 3% a 6%. No primeiro semestre, a expansão foi de 1,2%.

Para o crédito à pessoa jurídica, o BB também revisou sua previsão. O banco espera que esses empréstimos diminuam de 10% a 6% neste ano em relação a 2015 contra intervalo que sinalizava alta de 1% a 4%. No primeiro semestre, encolheu 5,4%. "O resultado foi impactado pela menor demanda e pela variação cambial", explica o BB, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras.

Para o índice de provisões, que também foi revisado no trimestre passado, a projeção do BB é de que fique entre 4,0% e 4,4%. No primeiro semestre, ficou em 4,3%.

O BB espera que os empréstimos para a pessoa física avancem de 5% a 8% neste ano. De janeiro a junho, a alta foi de 6,3%. A carteira de agronegócio teve aumento de 9,6% no semestre, dentro do intervalo estimado, de elevação de 6% a 9%. Para as rendas com tarifas, o BB segue projetando alta de 7% a 11%. No primeiro semestre, cresceram 7,6%. Para as despesas administrativas, o BB espera aumento de 5% a 8% neste ano. Até junho, subiram 2,6%.

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