Lucro do Banco Santander cresce 70% em 12 meses

Pelas normas contábeis do País, lucro foi de R$ 1 bilhão no 2º trimestre; participação no resultado mundial do grupo subiu de 18% para 22%

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

O Banco Santander Brasil anunciou lucro líquido de R$ 1,766 bilhão no segundo trimestre no padrão contábil internacional IFRS, com crescimento de 9,5% quando comparado com o mesmo período do ano passado, e de 0,2% em relação ao trimestre anterior. Considerando as normas contábeis brasileiras, o lucro foi de R$ 1,002 bilhão entre abril e junho, uma expansão de 70,5% em 12 meses.

A participação do Brasil no resultado mundial do banco saltou de 18% para 22%, o que faz o País caminhar para tornar-se o de maior lucro dentro do grupo já no próximo trimestre. Com a crise na Europa e o fraco desempenho da economia espanhola, a participação da Espanha no resultado do banco caiu de 27% para 22%, igualando-se à do Brasil. Enquanto os ganhos aqui aumentam, os resultados em outros países apresentam quedas.

O lucro no Brasil no segundo trimestre ficou dentro do previsto pelos analistas. O destaque foi a expansão das operações de crédito do banco espanhol. Nos últimos trimestres, o crescimento do crédito vinha ficando aquém das expectativas e abaixo dos concorrentes como Bradesco e Itaú Unibanco. O Santander fechou junho com carteira de crédito de R$ 146,5 bilhões, expansão de 4,7% ante o trimestre anterior e de 9,2% em 12 meses. O crédito com desconto em folha de pagamento foi um dos que mais cresceram, com expansão de 31,1%. O financiamento imobiliário teve aumento de 29,6%.

Menos inadimplência. O presidente do Santander, Fábio Barbosa, atribui a melhora dos resultados no crédito à retomada dos empréstimos para pequenas e médias empresas. Após uma reestruturação na área, que levou a um encolhimento da liberação de recursos de 7% nos três primeiros meses do ano, o segmento voltou a crescer e teve expansão de 4,7% no segundo trimestre. O banco está contratando 500 gerentes para atuar no segmento.

As taxas de inadimplência, para atrasos superiores a 90 dias, ficaram em 6,6% no padrão IFRS, abaixo dos 7% do primeiro trimestre. Foi o terceiro período consecutivo de quedas. "Economia forte significa inadimplência menor", diz Barbosa. Por causa da melhora no índice de calotes, o banco não fez provisões adicionais para devedores duvidosos (conhecidas como PDD) no segundo trimestre. O total de provisões caiu 17,6%, de R$ 2,490 bilhões, para R$ 2,048 bilhões.

A analista de bancos da corretora Ativa, Laura Lyra Schuch, destaca que o Santander parece ter resolvido o problema no crédito para pequenas e médias empresas e agora pode apresentar taxas maiores de crescimento. "Acreditamos que banco está pronto para se beneficiar da conjuntura macroeconômica favorável para a evolução de suas operações de crédito", diz Laura.

O Santander deve abrir mais de 100 agências no Brasil até o fim do ano. A meta do banco para 2010 era abrir entre 120 e 150 unidades, mas até agora só seis foram abertas, segundo Barbosa. Nos próximos 4 anos, o objetivo é inaugurar 600 agências.

Segundo Barbosa, a meta das agências para 2010 foi definida logo após a oferta de ações que o banco fez em outubro do ano passado, quando captou R$ 14,1 bilhões. A demora em abrir as unidades até agora ocorreu por causa da procura de locais adequados, aluguéis e contratação de funcionários.

O banco está em processo de integração de suas operações com o Banco Real, adquirido em agosto de 2008. O Santander vai aproveitar a Fórmula 1, evento do qual é patrocinador, para mudar a rede de agências do Real, que vão passar a ter a marca Santander. As agências já estão sinalizadas internamente com a cor do banco espanhol, o vermelho, mas por fora ainda têm a marca do banco comprado. Na semana da Fórmula 1, em novembro, as fachadas externas serão mudadas e a marca desaparece.

O Santander fechou o primeiro semestre com 2.097 agências no Brasil e 1.491 postos de atendimentos. Os caixas eletrônicos somaram 18.117 unidades. No período, foram abertas 260 mil contas correntes e emitido 1 milhão de cartões de crédito.

Diferenças

R$ 1,766 bi foi o lucro líquido pelo padrão contábil internacional IFRS

R$ 1,002 bi foi o lucro do Santander entre abril e junho

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