Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Lucro do BNDES cresce 159% no ano e chega a R$ R$ 14,7 bi

Com o resultado, o banco vai fazer um pagamento adicional de R$ 6 bilhões em dividendos

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2019 | 15h10

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre, alta de 70% ante igual período de 2018, acumulando R$ 16,5 bilhões de janeiro a setembro. A instituição de fomento informou ainda que repassará, na próxima semana, R$ 4,6 bilhões referentes ao lucro do primeiro semestre para ajudar o governo federal a fechar as contas de 2019, como revelou o Estadão/Broadcast mês passado. O BNDES repassará um total de R$ 132,5 bilhões ao Tesouro Nacional este ano, a maior parte em devoluções da dívida com a União.

Em devoluções da dívida, serão R$ 123 bilhões, dos quais já foram pagos R$ 88,3 bilhões. Dos R$ 34,7 bilhões restantes, R$ 30 bilhões se referem à antecipação extraordinária de R$ 100 bilhões pedida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, no início do ano. A expectativa é pagar esses R$ 30 bilhões ainda em novembro, disse Bianca Nasser, diretora financeira do BNDES. As devoluções da dívida não ajudam no saldo fiscal das contas públicas, mas servem para abater a dívida pública, reduzindo os encargos com juros.

Em lucros e dividendos, recursos que vão para as receitas correntes do governo, ou seja, contribuem com o saldo fiscal, o BNDES pagará R$ 9,5 bilhões em 2019. Desse total, R$ 1,6 bilhão referente ao lucro de 2018 foi pago no início do ano, enquanto R$ 7,9 bilhões correspondem ao limite máximo de 60% do lucro líquido do primeiro semestre – geralmente, as empresas repassam o lucro de um ano no início do seguinte, mas é possível antecipar algumas parcelas. Os R$ 4,6 bilhões da próxima semana é o que falta para chegar aos R$ 7,9 bilhões.

No terceiro trimestre, o lucro do BNDES veio de um resultado positivo de R$ 3,5 bilhões com a intermediação financeira e de um resultado de R$ 1,3 bilhão com participações societárias. No acumulado do ano, o destaque seguiu com as vendas de participações acionárias em empresas, a maioria concentrada no primeiro trimestre. A principal operação foi a venda da fatia na fabricante de celulose Fibria, em meio à fusão com a Suzano.

No período de julho a setembro, as vendas pararam, em meio a divergências entre a diretoria do banco e técnicos da área responsável pela gestão da carteira, principalmente em torno dos normativos para levar a campo as operações de forma mais célere, como revelou o Estadão/Broadcast em outubro.

A única operação destacada no balanço financeiro da BNDESPar, a empresa de participações do banco, foi a venda total da fatia de 3,87% no capital da desenvolvedora de softwares Totvs, que estava avaliada em R$ 326 milhões no encerramento do segundo trimestre.

Ao apresentar os resultados financeiros nesta quinta, 14, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, reafirmou a intenção de reduzir a carteira de participações societárias da instituição de fomento. No encerramento do terceiro trimestre, a carteira estava avaliada em R$ 106,047 bilhões, o que faz do BNDES um dos maiores investidores institucionais do País. Segundo Montezano, com a nova política para mercado de capitais, anunciada semana passada, pode haver uma redução de até 80% na carteira, o que daria cerca de R$ 21,2 bilhões.

Isso porque a nova política reduz o limite de VaR (“variation at risk”, indicador que mede a volatilidade diária de uma carteira de ações) de R$ 5,6 bilhões por dia para R$ 600 milhões por dia, num prazo de três anos. Isso significa que, em três anos, a variação máxima que todas as ações nas quais o BNDES investe poderão ter num único dia, para mais ou para menos é de R$ 600 milhões. Hoje, essa variação está em torno de R$ 3 bilhões por dia.

“Já aprovamos em conselho que temos que reduzir bastante nosso risco de ações. Em até três anos, preciso me desfazer de boa parte dessa carteira”, afirmou Montezano. O executivo criticou o tamanho excessivo da carteira atual, que equivale a 12% do ativo total do BNDES, quando “a média dos bancos de desenvolvimento internacionais é 0,4%”.

Questionado, o presidente do BNDES evitou comentar sobre ações de empresas específicas. “A gente não pode fazer qualquer tipo de comentário em relação a estratégia de venda de qualquer ação”, afirmou Montezano, ressaltando que algumas participações são muito grandes e que a intenção do BNDES é fazer as vendas da forma mais suave o possível. Apenas na Petrobras, a fatia é de cerca de R$ 52 bilhões.

O executivo destacou também que a nova política para as participações societárias introduziu alterações na forma de determinar os preços das ações da carteira. Diversas metodologias poderão ser usadas, pela nova política. O método do fluxo de caixa descontado, usado tradicionalmente pelo BNDES, será usado com uma “banda” de valores máximos e mínimos. Montezano também lembrou que a nova política, como já anunciado, prevê que operações de venda envolvendo participações avaliadas em mais de R$ 1 bilhão deverão passar pelo crivo do Conselho de Administração do banco.

Segundo Montezano, o BNDES tem conversado com bancos de investimento e investidores sobre estratégias para vender as participações. Além disso, as vendas serão feitas da forma mais “soft” possível, dado o tamanho das participações. “A gente não pode fazer qualquer tipo de comentário em relação a estratégia de venda de qualquer ação”, afirmou o executivo.

Questionado se a estratégia será vender os papéis no dia a dia da bolsa ou em ofertas públicas, um dos pontos de divergência com os técnicos das área, o presidente do BNDES ressaltou que as operações podem ser pela “mesa de operações” do banco, em bloco ou em ofertas. “De forma conceitual, quanto maior sua posição, mais você tende para a oferta, quanto menor, mais se tende pra bolsa”, afirmou Montezano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.