Alex Silva/Estadão - 4/11/2019
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R$ 1,57 bi

E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

Lucro do Bradesco cai quase 40% com medidas para conter efeitos da pandemia

Banco aumentou sua proteção contra devedores duvidosos prevendo os efeitos do aumento do desemprego e da falência de empresas; inadimplência já é a maior em dois anos

Aline Bronzati e Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2020 | 07h52

O Bradesco viu seu lucro líquido recorrente encolher 39,8% no primeiro trimestre deste ante o mesmo período de 2019 ano em meio à pandemia do novo coronavírus, o que empurrou a cifra no período para R$ 3,753 bilhões. Em relação aos três meses anteriores, a queda foi ainda maior, de 43,5%.

Pesou nos resultados, sobretudo, o reforço de R$ 2,7 bilhões em provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, feitas no período por causa da covid-19. 

O Bradesco, explica em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, que o colchão adicional foi constituído em consequência do "cenário econômico adverso que poderá resultar no aumento da inadimplência, como reflexo da falência de empresas, do desemprego, bem como a degradação do valor das garantias".

O valor de R$ 2,7 bilhões somado à parcela pré-existente de R$ 2,4 bilhões, totaliza uma provisão complementar para o "cenário econômico adverso" de R$ 5,1 bilhões. 

"Esta crise tem provocado grande volatilidade nos mercados globais e local, fato que impactou adversamente nossos resultados advindos da margem financeira com mercado e do resultado financeiro da operação de seguros deste trimestre", acrescenta o banco.

A  instituição já percebeu aumento na inadimplência. Considerando atrasos acima de 90 dias, o índice chegou a 3,7% no primeiro trimestre, 0,4 ponto porcentual a mais que no trimestre anterior. A mesma elevação foi vista no comparativo anual.

A inadimplência do banco no período é a maior em dois anos e já dá sinais do impacto da pandemia na economia. "A partir da segunda quinzena de março, o agravamento da crise da covid-19 colocou pressão adicional sobre os índices de inadimplência e entendemos que essa situação deverá se agravar para o sistema financeiro em geral nos trimestres subsequentes", destaca o Bradesco.

Houve piora na inadimplência de todos os segmentos. O maior aumento, contudo, ocorreu por parte das micro, pequenas e médias empresas, que estão sofrendo mais na crise por causa das medidas de isolamento social, essenciais para conter a propagação da doença no País. Considerando atrasos acima de 90 dias, a inadimplência desse publicou foi a 4,5% no primeiro trimestre contra 3,7% nos três meses anteriores.

O indicador das grandes empresas foi a 1,2% ao fim de março ante 0,8% ao término de dezembro. Entre as famílias, a inadimplência alcançou 4,8% no primeiro trimestre ante 4,4% no quarto, no maior patamar desde junho de 2018. 

Aumento nos empréstimos

A carteira de crédito ampliada do Bradesco somou R$ 655,094 bilhões ao fim de março, volume 5,1% superior ao registrado em dezembro. Em um ano os empréstimos tiveram incremento de 17,0%.

Em meio à corrida das empresas por crédito, o Bradesco viu a carteira destinada à pessoa jurídica crescer 6,6% no primeiro trimestre ante o quarto, para R$ 415,880 bilhões. Para pessoas físicas, a alta foi de 2,6%, para R$ 239,214 bilhões. Ante um ano, essas carteiras tiveram elevações de 15,6% e 19,5%, respectivamente.

O Bradesco fechou março com R$ 1,486 trilhão em ativos totais, aumento de 5,5% em relação ao quarto trimestre. Em um ano, a alta foi de 7,1%.

O patrimônio líquido do banco, por sua vez, diminuiu 3,1% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, para R$ 129,548 bilhões. No comparativo anual, cresceu 2,3%.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio (ROE, na sigla em inglês) já foi afetada pela pandemia. O indicador diminuiu praticamente pela metade, para 11,7% no primeiro trimestre contra 21,2% nos três meses anteriores.

Diante da pandemia, o Bradesco decidiu suspender suas projeções de desempenho para 2020. Segundo o banco, as incertezas causadas pela covid-19 mudaram o cenário e reduziram a previsibilidade do desempenho dos negócios neste momento. "Tão logo tenhamos um cenário que permita maior previsibilidade, o Bradesco avaliará retomar a divulgação de projeções ao mercado", diz o banco.

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