Bruno Kelly/Reuters
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Lucro do Bradesco cresce 23,3% no 1º tri e vai a R$ 4,2 bi

O resultado representa um aumento de 6,3% em relação aos três últimos meses de 2014; expansão do crédito foi puxada por empresas

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2015 | 07h07

SÃO PAULO - O Bradesco, segundo maior banco do País em ativos, anunciou lucro líquido contábil de R$ 4,244 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O aumento foi de 23,3% na comparação com o mesmo intervalo de 2014, quando o resultado foi de R$ 3,443 bilhões. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, de R$ 3,993 bilhões, houve incremento de 6,3%.

A carteira de crédito expandida do banco, que considera avais e fianças, alcançou R$ 463,305 bilhões ao final de março, cifra 1,8% superior à vista ao término de dezembro, de R$ 455,127 bilhões. No comparativo anual, quando os empréstimos totalizaram R$ 432,297 bilhões, o crescimento chegou a 7,2%.

A expansão do crédito nos três primeiros meses do ano foi motivada pela pessoa jurídica. Os empréstimos para este público somaram R$ 321,254 bilhões, com elevação de 2,4% em relação ao trimestre anterior e 7,2% em um ano. Na pessoa física, o Bradesco totalizou saldo de R$ 142,051 bilhões, aumento de 0,4% e 7,1%, respectivamente.

O banco encerrou março com R$ 1,035 trilhão de ativos, cifra 12,2% maior que a registrada em um ano, de R$ 922,229 bilhões. No comparativo com dezembro, foi identificada leve expansão de 0,3%.

O patrimônio líquido do Bradesco foi a R$ 83,937 bilhões no primeiro trimestre, elevação de 14,5% em 12 meses, quando estava em R$ 73,326 bilhões. Já na comparação com o quarto trimestre do ano passado, quando somou R$ 81,508 bilhões, foi visto crescimento de 3,0%. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROE) subiu 2,2 pontos porcentuais de dezembro para março, alcançando 22,3%. Em um ano, alta foi de 1,8 ponto porcentual.

Lucro ajustado. O Bradesco também informou, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, lucro líquido ajustado de R$ 4,274 bilhões de janeiro a março, aumento de 23,1% em um ano, de R$ 3,473 bilhões. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a expansão ficou em 3,4%.

A diferença entre o resultado líquido contábil e o ajustado no primeiro trimestre ante um ano se deve a constituição de provisões cíveis e efeitos fiscais. "Quanto à origem, o lucro líquido ajustado é composto por R$ 2,991 bilhões das atividades financeiras, correspondendo a 70,0% do total, e por R$ 1,283 bilhão gerado pelas atividades de seguros, previdência e capitalização, representando 30,0%", informa o banco, em relatório. 

Inadimplência. Após recuar no fim do ano, o índice de inadimplência, que considera os atrasos acima de 90 dias, teve piora de 0,1 ponto porcentual no 1º trimestre ante os três meses anteriores, para 3,6%. No comparativo anual, os calotes subiram 0,2 p.p.

Em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, o Bradesco explica que o leve aumento no comparativo anual e trimestral dos calotes ocorreu, principalmente, em função da desaceleração da atividade econômica, que impactou o crescimento da carteira do segmento de micro, pequenas e médias empresas. A inadimplência deste segmento subiu 0,2 p.p. de dezembro para março, atingindo 4,7%. Em um ano, aumentou 0,5 p.p.

Na pessoa física, também houve piora da inadimplência. Os calotes, acima de 90 dias, passaram de 4,7% em dezembro para 4,8% em março. Nas grandes empresas, porém, o indicador ficou estável em 0,8%.

Luiz Carlos Angelotti, diretor gerente e de Relações com Investidores do Bradesco, havia antecipado, em entrevista ao Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, no início do mês, a possibilidade do aumento da inadimplência por conta da sazonalidade de início de ano com uma maior concentração de gastos da pessoa física. Ao longo de 2015, porém, o executivo acredita que o indicador deve retomar e se manter estável, embora possa ocorrer uma pressão nos calotes em um eventual aumento de desemprego no País.

A inadimplência de curto prazo do Bradesco, que compreende atrasos de 15 a 90 dias, subiu de 3,6% no quarto trimestre do ano passado para 4,1% ao final dos três primeiros meses de 2015. No comparativo anual, os calotes permaneceram estáveis. "A inadimplência de curto prazo apresentou aumento, tanto para pessoa física quanto jurídica, comportamento já esperado, em função da sazonalidade característica do trimestre, com probabilidade de retomada ao padrão histórico", destaca o banco.

Provisões. As despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, do Bradesco somaram R$ 3,580 bilhões no primeiro trimestre, aumento de 25,1%, quando esses gastos estavam em R$ 2,861 bilhões. Em relação ao quarto trimestre de 2014, quando a cifra estava em R$ 3,307 bilhões, foi visto incremento de 8,3%.

Maiores provisões no comparativo anual ocorreram, segundo o Bradesco, decorrente, em grande parte, do alinhamento do nível de provisionamento em relação à expectativa atual de perda de determinadas operações com clientes corporativos. "Ressalta-se que as operações de crédito - conceito Bacen, evoluíram 1,7% no trimestre e 7,4% nos últimos 12 meses", observa o banco.

O saldo de PDDs do banco foi a R$ 23,618 bilhões ao final de março, elevação de 10,3% ante um ano, de R$ R$ 21,407 bilhões. Em relação a dezembro, quando o montante acumulado era de R$ 23,146 bilhões, foi visto aumento de 2,0%.

Projeções. O Bradesco manteve as projeções para o crédito e demais linhas de desempenho em 2015. A carteira de crédito expandida, que inclui avais e fianças, deve avançar de 5% a 7% neste ano. No primeiro trimestre, o crédito cresceu 7,2%, levemente acima do intervalo projetado.

O banco espera que o maior crescimento do crédito venha de pessoas físicas, cujos empréstimos neste ano devem avançar de 8% a 12%. De janeiro a março, o desempenho ficou abaixo uma vez que o aumento foi de 7,1%.

Na pessoa jurídica, a expectativa do banco é de que crédito cresça no mínimo 4% e no máximo 8% em 2015. O desempenho do primeiro trimestre também veio abaixo já que avançou 7,2%.

O Bradesco espera que sua margem financeira cresça de 6% a 10% em 2014. As receitas com prestação de serviços do banco devem avançar no mínimo 8% e no máximo 12% em 2015.

Para as despesas operacionais, administrativas e de pessoal, a instituição projeta elevação de 5% a 7% em 2015. O Bradesco espera que os prêmios de seguros em 2015 tenham expansão de 12% a 15% neste ano.

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