Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Lucro do Bradesco cresce 25,6% em 2014, mas banco prevê crédito menor este ano

Resultado do 4º trimestre de 2014 somou R$ 3,993 bi, alta de 29,7% em relação ao mesmo período de 2013

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

29 de janeiro de 2015 | 07h08

SÃO PAULO - O Bradesco iniciou nesta quinta-feira, 29, a temporada de balanços dos grandes bancos ao anunciar lucro líquido contábil de R$ 3,993 bilhões no quarto trimestre de 2014, elevação de 29,7% em relação ao mesmo intervalo de 2013, de R$ 3,079 bilhões. Na comparação com os três meses anteriores, de R$ 3,875 bilhões, foi apurado aumento de 3%.  Em 2014, o resultado foi a R$ 15,089 bilhões, cifra 25,6% maior em relação a 2013, que ficou em R$ 12,011 bilhões.  

Ante o terceiro trimestre, quando as operações somaram R$ 444,195 bilhões, o avanço foi de 2,5%.  As operações de pessoas físicas, que somaram R$ 141,432 bilhões, cresceram 2,5% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com um ano, foi visto aumento de 8,2%. Na carteira de pessoa jurídica do Bradesco, foram identificados aumentos de 2,5% e 5,8%, respectivamente, totalizando R$ 313,695 bilhões, na mesma base de comparação.  

Ao final de dezembro, o banco atingiu a marca de mais de R$ 1 trilhão em ativos, montante 13,6% maior que o registrado em um ano e 4,5% superior ante setembro. O patrimônio líquido totalizava R$ 81,508 bilhões, avanço de 14,9% em um ano. Na comparação com o valor visto ao final de setembro, foi visto aumento de 2,9%.  

Despesas operacionais. As despesas operacionais, que consideram os gastos com pessoal e também os administrativos, totalizaram R$ 7,835 bilhões no quarto trimestre de 2014, montante 7,1% maior que o visto em um ano, de R$ 7,313 bilhões. Na comparação com os três meses imediatamente anteriores, foi vista alta de 8,9%.  No ano de 2014, os gastos com pessoal e administrativos somaram R$ 28,815 bilhões, elevação de 4,5% ante 2013, de R$ 27,573 bilhões. O aumento ficou dentro do guidance (projeção) da instituição para o exercício, de 3% a 6%. Em um ano, o Bradesco cortou 4.969 funcionários. 

Crédito menor. O desempenho da carteira de crédito expandida do Bradesco, que inclui avais e fianças, em 2014 ficou abaixo da meta (guidance) divulgada pela instituição ao crescer 6,5%, para R$ 455,127 bilhões. O banco esperava que os empréstimos totais avançassem de 7% a 11%. Além disso, essa projeção já era mais tímida que a divulgada no início de 2014 que apontava para uma faixa de aumento de no mínimo 10% e no máximo 14%.  

Na pessoa física, o Bradesco cumpriu o guidance esperado para 2014 ainda que o crescimento tenha vindo mais próximo do piso da faixa anunciada de alta de 8% a 12%. Os empréstimos para este público, que chegaram em R$ 141,432 bilhões ao final de dezembro, foram 8,2% maiores em 12 meses.  

Na concessão de crédito a pessoas jurídicas, a expansão vista também veio levemente abaixo do guidance. Essas operações somaram R$ 313,695 bilhões ao final do último trimestre de 2014, cifra 5,8% maior em um ano. O Bradesco esperava que os empréstimos para empresas crescessem de 6% a 10% em 2014.

Em linha com a expectativa de analistas do mercado, o banco espera um menor crescimento do crédito neste ano, de 5% a 7%. O maior crescimento do crédito, novamente, deve vir de pessoas físicas, segundo o Bradesco. O banco manteve a expectativa de 2014 para este ano de incremento de 8% a 12% nos recursos liberados para este público. Na pessoa jurídica, a expectativa do banco é de que crédito cresça no mínimo 4% e no máximo 8% em 2015. No ano passado, a projeção inicial era de 9% a 13%, mas foi revisada para de 6% a 10%.  

O Bradesco espera que sua margem financeira cresça de 6% a 10% em 2014, projeção mais tímida que a faixa de alta de 9% a 12% projetada para o ano passado. No último trimestre, o banco fez movimento ao contrário e elevou essa expectativa. A anterior era de aumento de 6% a 10%.  

Inadimplência. A inadimplência do Bradesco, considerando os atrasos acima de 90 dias, reverteu a trajetória de alta vista há dois trimestres, encerrado os últimos três meses do ano passado 0,1 ponto porcentual menor, para 3,5%, ante o período imediatamente anterior, de 3,6%. Na comparação anual, os calotes, conforme o banco, ficaram estáveis.  "Esta melhora foi observada na pessoa física e, também, no segmento de micro, pequenas e médias empresas", destaca o relatório que acompanha suas demonstrações financeiras.  

Na pessoa física, os calotes, considerando atrasos superiores a 90 dias, foram a 4,7% ao final de dezembro, queda de 0,1 p.p. ante setembro, de 4,8%. Em um ano, recuaram 0,3 p.p. Já nas micro e pequenas empresas, o indicador baixou 0,1 p.p. E subiu 0,4 p.p., para 4,5%, na mesma base de comparação. Enquanto a inadimplência da pessoa física e da pequena empresa recuou, nas grandes companhias os calotes ficaram estáveis em 0,8% na comparação trimestral. Em 12 meses, houve alta de 0,2 p.p.  

O Bradesco ressalta, em relatório, que a inadimplência de curto prazo, operações vencidas de 15 a 90 dias, diminuiu no quarto trimestre tanto para indivíduos como para empresas ante o trimestre anterior. O indicador total passou para 3,6% ante 3,7%. "Na comparação anual, também observamos redução deste indicador, principalmente, pela melhora expressiva na pessoa física", acrescenta o banco. 

Tudo o que sabemos sobre:
BANCOSBRADESCObalanço

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.