Lucro do Bradesco sobe 1,7% no trimestre

Taxa de inadimplência entre as grandes empresas dobrou do 1º para o 2º trimestre

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h11

Primeiro grande banco de varejo a divulgar o balanço do 2.º trimestre - com alta de 1,7% no lucro, para R$ 2,83 bilhões -, o Bradesco deixou os investidores intrigados. A taxa de inadimplência entre as grandes empresas mais que dobrou na comparação com o 1.º trimestre, e chegou a 0,9% do total da carteira. Além disso, as provisões para eventuais novas perdas subiram 2,8% na comparação com o 1.º trimestre e 19% ante o 2.º trimestre de 2011, para R$ 20,7 bilhões.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, afirmou que a alta da inadimplência das grandes empresas "foi algo tópico e deve ser entendido como evento passageiro, já administrado". Segundo ele, não representa mudança na tendência de queda da inadimplência nos próximos trimestres.

"Não há um fator preponderante", continuou Trabuco. "Foi uma decorrência dentro da rotina de ajustes numa carteira de crédito com o tamanho e diversificação de clientes que um banco como o Bradesco administra."

Ele destacou, ainda, que a inadimplência acima de 90 dias ficou estável entre as pessoas físicas (6,2%) e nas micro, pequenas e médias empresas (4,2%). Em razão das grandes companhias, porém, o índice geral apresentou pequena alta em relação ao primeiro trimestre - de 4,1% para 4,2%. Nas contas dos executivos do Bradesco, a inadimplência deve cair já no 2.º semestre.

Apesar das declarações do executivo, ficou no mercado um temor de que os índices de inadimplência podem continuar aumentando. Na dúvida, os investidores puniram as ações. Os papéis preferenciais (PN) perderam 4,78%, enquanto o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 2,14%.

"A forte alta nas provisões pode trazer algumas preocupações sobre a qualidade dos ativos do banco e ofuscar o crescimento das operações de seguro e de tesouraria", disseram, em relatório, os analistas Marcelo Telles, Daniel Sasson e Victor Schabbel, do banco Credit Suisse.

Os papéis de outros bancos de varejo também se desvalorizaram ontem - em parte por causa do mau humor geral, decorrente de um novo capítulo da crise europeia. Em termos de fatores internos, a inadimplência do Bradesco pesou, como observou o analista de instituições financeiras do Barclays, Fabio Zagatti. As ações do Itaú caíram 3% e as do Banco do Brasil, 2,01%.

Segundo Zagatti, além de o risco de aumento do calote de grandes corporações existir nos demais bancos, a elevação do calote desses clientes indica que a desaceleração econômica no Brasil já pode ter feito com que as empresas tenham problema na hora de honrar suas dívidas.

Ganho maior. No primeiro semestre inteiro, o lucro líquido do banco alcançou R$ 5,62 bilhões, um crescimento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2011.

Trabuco confirmou a informação antecipada pelo Estado no início do mês de que o Bradesco vai emprestar menos do que imaginava em 2012. Antes, a expectativa era de uma alta dos empréstimos entre 18% e 22%. Agora, a previsão vai de 14% a 18%.

"Quando fizemos a projeção anterior, no fim do ano passado, consideramos outra cotação do dólar, outra expansão do PIB e outra taxa de juros", justificou. "Notamos que o aquecimento mais forte da economia ficou para o segundo semestre."

Trabuco disse, ainda, que o banco não deve alterar novamente as expectativas para expansão do crédito. / COLABORARAM ALINE BRONZATI E ANGELO IKEDA

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