Lucro do Bradesco sobe 22% e vai a R$ 2,1 bilhões

Resultado é recorde entre os bancos privados, levando-se em conta o primeiro trimestre, segundo a consultoria Economática

Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2010 | 00h00

Primeiro banco brasileiro a divulgar balanço em 2010, o Bradesco mostrou o que deve ser a tônica para o setor ao longo do ano: crescimento do lucro, do crédito e redução da inadimplência. O segundo maior banco privado do País apresentou no primeiro trimestre lucro líquido de R$ 2,103 bilhões, o que significou expansão de 22% em relação a igual período de 2009.

Segundo a empresa de informações financeiras Economática, foi o maior ganho já registrado por um banco brasileiro nos três primeiros meses do ano. Hoje, o Grupo Santander Brasil divulgará os resultados obtidos entre janeiro e março.

Conforme a maioria dos analistas esperava, o Bradesco elevou a concessão de crédito no período. A alta, de 10,4% em relação ao primeiro trimestre de 2009, foi puxada pelos empréstimos consignados e pelos financiamentos imobiliários. Para o ano inteiro, a instituição manteve a expectativa de um crescimento entre 21% e 25%.

O vice-presidente executivo do banco, Domingos Abreu, afirmou que esses porcentuais ainda podem ser alcançados - a despeito da expansão bem mais modesta no primeiro trimestre - porque este é o período do ano em que os negócios costumam ser mais fracos. "É normal termos de acelerar ao longo do ano", observou.

Ele disse que, ao final de fevereiro (dado mais recente disponível), o Bradesco detinha uma participação de 12,6% do mercado de crédito brasileiro, exatamente igual ao número de dezembro do ano passado. "Nosso objetivo é aumentar um pouquinho essa participação", afirmou.

Briga pelo mercado. Em 2009, em meio à crise financeira mundial, os bancos públicos adotaram uma estratégia agressiva de concessão de crédito. O objetivo do governo era impedir que a escassez de financiamentos derrubasse ainda mais a atividade econômica no País. Um efeito colateral da estratégia foi o aumento da fatia dessas instituições no mercado de crédito.

Por isso, analistas esperavam para 2010 um contra-ataque dos bancos privados. No caso do Bradesco, a alta de 10,4% foi considerada moderada, mas, ainda assim, positiva.

Os resultados do banco foram elogiados, em relatórios, pelos analistas do banco Credit Suisse, da Corretora Ativa e da Corretora do Banco Fator. Todos destacaram, em especial, o retorno da rentabilidade para pouco acima de 20%. A medida é fruto da relação entre lucro líquido e patrimônio líquido.

"O resultado corrobora nossa visão de recuperação dos números do banco para 2010. Entendemos que o Bradesco, dada sua extensa capilaridade, está bem posicionado para se aproveitar do cenário de expansão que esperamos para o setor como um todo em 2010, diante da retomada do crescimento do crédito, queda da inadimplência e aumento das taxas de juros", afirmou Laura Schuch, da Ativa, no texto.

Calote. O índice de inadimplência geral do Bradesco caiu de 4,9% no quarto trimestre do ano passado para 4,4% nos três primeiros meses deste ano. Na pessoa física, o indicador recuou de 7,4% para 6,7%. Entre as micro, pequenas e médias empresas, o índice saiu de 4,8% para 4,4%.

Nas grandes empresas, o indicador caiu de 0,9% para 0,6%. Segundo Abreu, a tendência é de que esses indicadores caiam ainda mais ao longo do ano. Para o fim de 2010, a projeção é de uma taxa média de 4%.

Os analistas também consideraram positivo o Índice de Basileia do Bradesco, que terminou março em 16,8%. Esse indicador mede a adequação do capital do banco em relação ao risco que pode assumir e mostra o quanto ele pode crescer em empréstimos. O Banco Central (BC) exige um indicador mínimo de 11%. Ou seja, o Bradesco está bem acima do mínimo necessário, o que permite expandir o crédito sem maiores problemas. / COLABOROU ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

PARA LEMBRAR

Banco tem planos de voltar à liderança

Em novembro de 2008, a fusão entre Itaú e Unibanco tirou do Bradesco uma liderança de 47 anos do sistema bancário privado brasileiro.

Pouco depois, em fevereiro de 2009, a instituição de Cidade de Deus trocou o presidente executivo. Saiu Márcio Cypriano e assumiu Luiz Carlos Trabuco Cappi.

Ainda que adote um tom de cautela ao falar da volta à liderança, Trabuco, como é conhecido no mercado, deixa claro que esse é um dos principais objetivos do Bradesco nos próximos anos.

Para tanto, iniciou, logo depois que assumiu o cargo, mudanças na instituição. Uma delas envolve um rodízio de executivos por diferentes cargos. Outra é o envio de profissionais considerados promissores para estudar no exterior, principalmente nos EUA.

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